O prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP) defende que a Quinta Gospel é um evento cristão e que outras crenças que pretendem usar a Praça do Rádio Clube para atividades culturais, como shows, podem fazer isso em outros dias. A Quinta Gospel foi sancionada em 23 de julho de 2012, pelo ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), e, desde então, recebeu artistas evangélicos e católicos.
Durante evento do Centro de Convivência do Idoso Vovó Ziza, no Bairro Tiradentes, Olarte disse que “as outras linhas de manifestação cultural podem ter o seu espaço normal outro dia”. Para ele, está-se criando uma polêmica em torno do evento que é desnecessária. “Querem criar uma guerra onde não tem”, ressaltando que a lei que instituiu a Quinta Gospel é do ex-prefeito Nelson Trad e não “foi o Gilmar Olarte que criou”.
Quanto ao procedimento preparatório aberto pelo Ministério Público Estadual (MPE) e à recomendação inicial de que o evento gospel fosse aberto às outras crenças, Olarte apontou que “o MPE, na hora que ver a lei, olhar com calma e conversar conosco, vai chegar à conclusão de que a Quinta Gospel é um evento criado para ter espaço para os cristãos, e aí compreendem-se evangélicos e católicos. Outras manifestações poderão usar outro dia, mas esse dia é específico. É lei”, sentenciou.
A polêmica surgiu no começo de agosto, quando a Fundação Municipal de Cultura (Fundac) vetou a participação da cantora Rita Ribeiro – que comanda o espetáculo “Tecnomacumba” – em uma das edições da Quinta Gospel. Na época, o dirigente de um templo religioso de umbanda, Elson Borges dos Santos, procurou o gabinete do vereador Eduardo Romero (PT do B) para denunciar a situação.
A polêmica, que surgiu na Câmara dos Vereadores, chegou ao Ministério Público Estadual, o qual recomendou à prefeitura, na semana passada, que se abstenha de interpretar a legislação municipal sobre o tema e obedeça à Constituição Federal, que estabelece o Estado Laico (sem vínculos à religiões), além de princípios constitucionais, como da Igualdade (oportunidade para todos e, no caso específico, sem distinção da preferência religiosa).