Cidades

Pantanal

Ribeirinhos reforçam a renda com artesanato de aguapé

Possibilidade de diversificar ganhos despertou a atenção de moradores do local

Redação

23/08/2014 - 15h10

Jovens e adultos se mobilizaram para aprender a técnica com Catarina Guató, uma das poucas remanescentes do saber-fazer secular, que em três dias ministrou a oficina Saberes Seculares do Pantanal.

O projeto é realizado pela Funarte e pelo Ministério da Cultura, por meio do programa Mais Cultura: Microprojetos Pantanal 2013, com apoio da Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul e da Prefeitura Municipal de Corumbá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Cras Itinerante) e da Fundação de Cultura de Corumbá.

No primeiro dia, o grupo de alunos saiu de barco com Catarina para aprender a escolher o aguapé a ser coletado. “Não se arranca com faca os talos da planta para não matá-la”, ensina a mestra do saber-fazer, ao indicar os mais compridos.

Na sequência, a fibra foi exposta ao sol para secar. Os alunos aprenderam também a produzir a trama que origina o trançado, que pode chegar a centenas de metros, até tomar forma de objetos utilitários e decorativos.

Ao fim do curso, as alunas fizeram uma exposição com o material produzido. “A ideia é formar uma cadeia produtiva e comercializar em vários pontos turísticos do Pantanal”, revela Catarina.


Esforço
O grupo contou com jovens mães que, apesar da cheia do Rio Paraguai que só permite o deslocamento por embarcações, não mediram esforços em irem até a escola polo da comunidade, inclusive com crianças de colo, para aprenderem a confeccionar o artesanato de matéria-prima abundante no Pantanal para comercializar com os turistas que praticam o turismo de pesca na localidade.

Viviane Lino Nascimento, de 24 anos, que se destacou no curso por conta da habilidade e criatividade, conta que gostou muito do curso: “Foi muito fácil aprender a fazer o trançado com o aguapé. Apesar de viver aqui há muitos anos, não imaginava que dava pra fazer artesanato com a planta. Foi muito gratificante o curso. E não tem desculpas pra não fazer: com a cheia do rio, é só pegar o aguapé debaixo de nossas casas”.


A mestra do saber-fazer Catarina Guató terminou o projeto satisfeita: “Em maio fizemos o curso no Porto da Manga e agora em Porto Esperança.  Ensinei tudo o que sei e percebi que os dois grupos ficaram muito interessados em dar continuidade à produção do artesanato. Tenho certeza de que em breve teremos núcleos de artesanato em aguapé nas duas localidades e essas pessoas vão poder repassar o conhecimento a outras, formando assim uma cadeia produtiva do artesanato em aguapé”.

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