A promotora de Justiça Filomena Aparecida Depólito Fluminhan, da 32ª Promotoria de Justiça da Saúde de Campo Grande, realizou diligências nas Unidades de Pronto Atendimento dos bairros Coronel Antonino, Vila Almeida e Universitário, na segunda-feira (1º) para dar prosseguimento à investigação sobre falta de leitos na Santa Casa de Campo Grande, que provoca a permanência de pacientes nas UPAs, aguardando vaga por mais de 24 horas.
Conforme competência normativa, as UPAs devem manter pacientes em observação até 24 horas para elucidação diagnóstica ou estabilização clínica, já que a internação efetiva deve ocorrer no ambiente hospitalar para que o paciente tenha acesso ao tratamento adequado, o que atualmente não está sendo cumprido devido à falta de leitos hospitalares de adulto, conforme a promotora.
Durante a vistoria, constatou-se falta de equipamentos nas três unidades de saúde. Na UPA Coronel Antonino, os equipamentos estão defasados e apresentam defeitos constantes e, mesmo após o conserto, novamente apresentam defeitos. Os aparelhos apresentam tecnologia inferior aos da viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Também observou-se que não há falta de leitos para encaminhamento de crianças e adolescentes nos locais. Além disso, o encaminhamento aos hospitais referenciados é efetuado dentro dos prazos de protocolo. Na Coronel Antonino, constatou-se durante a vistoria que havia sobra de dois leitos sem ocupação na ala pediátrica, bem como se constatou que dois adultos foram para a ala pediátrica, em razão de não haver disponibilidade na ala de adultos. Constatou-se ainda que uma paciente que está internada desde o último dia 24, aguardava vaga no Centro de Apoio Psicossocial (CAPS).
Na diligência realizada na UPA do Bairro Vila Almeida, a promotora entrevistou quatro profissionais e tomou conhecimento que a maior demanda é para pacientes que precisam de apoio psicossocial, estão com pneumonia, ou sofreram AVCs e infartos. Já a falta de leitos ocorre nas seguintes áreas: psiquiatria, clínica médica, cardiologia e infectologia. Os profissionais declararam ainda que, nos últimos meses, pacientes chegaram a ficar mais de cinco dias internados. No entanto, nas últimas semanas, a transferência está mais rápida.
Os entrevistados também confirmaram que pacientes vítimas de infarto e AVC, que deveriam ser encaminhados à unidade hospitalar no período máximo de três horas após o infarto e de 4 a 5 horas, no caso de AVC, permanecem na unidade aguardando leito hospitalar, o que acarreta no agravamento de seu estado de saúde. As respostas foram semelhantes nas outras duas UPAs. Entrevistados na UPA do Universitário disseram que já presenciaram pacientes internados por mais de três dias.