Cidades

Diário Oficial da União

Exoneração de servidor que alterou perfis de jornalistas na Wikipédia é publicada

Exoneração de servidor que alterou perfis de jornalistas <br>na Wikipédia é publicada

Redação

12/09/2014 - 09h44

O governo publicou no "Diário Oficial da União" desta sexta-feira (12) a exoneração do servidor Luiz Alberto Marques Vieira Filho, que, segundo sindicância do Executivo, usou a rede do Palácio do Planalto para adicionar críticas nos perfis na Wikipédia dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg.

O servidor ocupava a função de chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério do Planejamento. O governo já havia anunciado a exoneração em comunicado nesta quinta-feira (11).

No comunicado, a pasta também divulgou que, na época em que ocorreram as modificações nos perfis dos dois jornalistas, Vieira Filho exercia cargo de assessor da Secretaria de Relações Institucionais. A nota informa que, durante as investigações, o servidor assumiu a autoria das alterações e pediu exoneração do cargo de chefia que exercia no Ministério do Planejamento.

Na lista de filiados a partidos políticos disponível no site do TSE, há uma pessoa com o mesmo nome do servidor exonerado, filiada em outubro de 1999 ao PT em Ourinhos (SP). A assessoria do PT informou que localizou a ficha de filiação de Luiz Alberto Marques Vieira, mas não a de Luiz Alberto Marques Vieira Filho.

Segundo informações do Portal da Transparência, Vieira Filho entrou por meio de concurso para o Ministério da Fazenda como analista de finanças e controle e estava cedido para o Ministério do Planejamento, onde tinha um cargo de chefia, Além do salário de servidor, ele acumulava o benefício de DAS 4 (Direção de Assessoramento Superior). Por isso, recebia mensalmente R$ 22.065,61 (referência de julho de 2014).

De acordo com o Executivo, mesmo exonerado, Vieira Filho será alvo de um processo administrativo disciplinar (PAD), que poderá, eventualmente, culminar na sua demissão do serviço público. A Casa Civil destacou na nota que, como prevê a legislação, será assegurada ampla defesa ao servidor.

Em 8 de agosto, o jornal “O Globo” publicou reportagem na qual mostrou que um computador conectado à rede do Palácio do Planalto modificou os perfis de Sardenberg e Miriam Leitão na Wikipedia para incluir críticas aos dois. Os dois jornalistas são colunistas e comentaristas da TV Globo, do jornal "O Globo" e da rádio CBN.

Diante da polêmica gerada pelo episódio, inicialmente, o governo alegou que era "impossível" identificar os responsáveis pelas críticas. Depois, a presidente Dilma Rousseff determinou a abertura de uma sindicância para tentar identificar os responsáveis pela edição.

Jornalista estuda abrir processo
O jornalista Carlos Alberto Sardenberg disse que estudará com seus advogados a possibilidade de abrir um processo contra o servidor. “Precisa ver o que a gente faz, porque foi uma ofensa. Eu acho que houve uma ação criminosa e que tem autoria. Acho que cabe processo, mas é uma primeira impressão minha”, afirmou.

Para o comentarista, inicialmente a Presidência da República tentou “abafar” o caso. “A primeira reação instintiva da Presidência foi dizer que não dava para apurar, tentando abafar o caso ali mesmo, mas diante da observação de especialistas do setor de que era possível rastrear, a investigação começou”, disse.

Sardenberg lembrou que as alterações dos perfis dele e da colega Miriam Leitão não são um fato isolado e que há uma “rede” dedicada a “ataques e ameaças a jornalistas”. “É lamentável que tenha feito parte dessa rede uma pessoa que trabalhe dentro do governo”, afirmou.

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