Toda história merece ser contada. Pensando nisso, a diretoria da Academia de Medicina de Mato Grosso do Sul colocou em prática uma ideia antiga: a criação do Museu de História da Medicina de Mato Grosso do Sul. A inauguração acontece hoje, às 20h, com a abertura da exposição “São Julião – Caminho de Paz e Esperança”. Organizada pela médica Beatriz Figueiredo Dobashi e pelo arquiteto Cleber Lopes, a exposição reúne a história de um dos mais tradicionais hospitais da Capital, que atualmente é referência em atendimento multidisciplinar, sobretudo no tratamento de doenças oculares e internações longas.
Segundo Beatriz, que atuou como médica voluntária no hospital, o público poderá conferir cinco pontos diferentes durante a visita ao museu. “Haverá uma linha do tempo com fotos e textos sobre os acontecimentos mais relevantes, entre os dias que antecederam a sua fundação e os dias de hoje”, aponta.
A médica também afirma que haverá sala com destaque para os projetos sociais que o hospital mantém, como a Casa da Vovó Túlia, para crianças em processo de adoção; o Cedami, um centro de apoio ao migrante em busca de emprego ou tratamento de saúde; e as ações de amparo ao egresso hanseniano, que pode enfrentar sequelas e deformidades causadas pela doença.
Entre outras atrações a serem conferidas durante a exposição, o público poderá conhecer obras de Lino Villachá, escritor que sofreu complicações da hanseníase, e Lenilde Ramos. Haverá ainda equipamento multimídia, em que se poderá conferir os relatos das vidas de pessoas já falecidas e que ajudaram muito o hospital; e 13 cavaletes com banner, cada um referente a um programa desenvolvido pelo São Julião. Para o médico José Roberto Amin, diretor-geral do Museu de História da Medicina, a escolha de apresentar o Hospital São Julião na inauguração é natural. “Trata-se de um dos locais mais importantes de nossa história médica”, aponta.

Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado
Diretor do Museu de História da Medicina, o médico ressalta a importância do espaço
Espaço dedicado
O endereço do Museu de História da Medicina, no número 512 da Rua da Liberdade, não foi escolhido por acaso. De acordo com o presidente da Academia de Medicina, João Pereira da Rosa, ali também foram realizadas as primeiras aulas do então Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Mato Grosso, embrião da atual Universidade Federal. Segundo o diretor-geral da instituição, o museu passará a fazer parte do Sistema Brasileiro de Museus, coordenado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). “Temos uma forte preocupação educacional e também queremos servir a comunidade com esse espaço”, afirma o diretor.
O projeto é pioneiro, explica Amin. De acordo com ele, trata-se da primeira academia médica a contar com um espaço museológico. “Nosso projeto está saindo do papel, ainda temos muito em que investir. Por isso, também estamos convidando todos os que quiserem contribuir, seja com equipamentos antigos, fotografias, etc”, ressalta. A sede da Academia de Medicina foi criada há dois anos. “Buscando atividades para a academia, descobrimos a possibilidade da criação do museu”, pontua o diretor-geral. “Também buscamos apoio das fundações de cultura municipal e estadual”, aponta.

Foto: Divulgação
Ideia antiga de criação do museu foi colocada em prática pela Academia de Medicina
Segundo ele, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) também firmou convênio com o espaço. “Vamos fazer intercâmbios com os estudantes de diversas áreas”, ressalta. “Queremos interagir com toda a sociedade, mas, principalmente, com os estudantes e universitários, resgatando a história da Medicina, que remonta ao fim dos anos de 1860, com a vinda dos primeiros médicos para nossa região”, explica Amin.
Em seu projeto, quando concluído, o espaço contará com acervos bibliográfico, tridimensional e arquivístico, e atenderá toda a comunidade, com projetos educativos e sociais, em espaços adequados para estas atividades. Também oferecerá salas de aulas equipadas, salas para exposições, acolhimento de oficinas, auditórios e salas funcionais e administrativas. De acordo com João Pereira, a criação do museu sempre perpassou os planos dos presidentes anteriores. “Conseguimos, enfim, com muito esforço, tirar esse sonho do papel.”