Condenado a cinco anos de prisão por desviar R$ 558 mil do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Adriano Campoçano é o chefe do setor que cuida da gestão dos bens da Prefeitura de Campo Grande. Mesmo com a decisão judicial, ele continua ocupando o cargo público, com ganhos que podem chegar a R$ 3.968,48.
Campoçano é cunhado de Alex Armôa Teixeira, servidor público estadual “pivô” de escândalo de desvio de verba da Corte. Campoçano foi condenado, em decisão do dia 15 de agosto, a cinco anos de prisão no regime semiaberto, junto do policial civil aposentado Amaury Teixeira e Maria de Fátima Armoa Teixeira, pais do servidor. Já Alex foi condenado a oito anos e dois meses de prisão. A decisão é da 4ª Vara Criminal de Campo Grande. Cabe recurso.
Mesmo condenado, Campoçano é servidor público nomeado na Secretaria Municipal de Administração de Prefeitura de Campo Grande, e não chegou a ser exonerado, mesmo com a decisão judicial. No processo, a Justiça decidiu, em primeira instância, que Campoçano é culpado pelo crime de enriquecimento ilícito, e parte de peculato, já que Alex usou o cargo como servidor público para desvio de verba. O dano aos cofres do Tribunal chegou a R$ 558.170,60, segundo os autos.
Hoje, Adriano Campoçano é o responsável pelo setor que gerencia os bens da Prefeitura de Campo Grande. Este não é o primeiro cargo de confiança que ele ocupa na atual gestão da administração municipal.
Em 3 de abril deste ano, através do Decreto “PE” n.1.124, Campoçano foi designado como chefe de Gestão de Transportes da Secretaria Municipal de Administração, cargo que ocupou durante pouco mais de um mês. Outro decreto, de número 1.030, ainda autorizou o servidor a conduzir veículos oficiais da pasta.
Em maio, no mesmo dia, Campoçano foi exonerado do cargo que ocupava, e nomeado chefe da Coordenadoria de Gestão de Serviços e Bens, símbolo DCA-4, da Secretaria Municipal de Administração. Os atos foram determinados, respectivamente, pelos decretos n. 1.874 e 1.875, ambos assinados por Valtemir Brito, chefe da Semad, e pelo prefeito Gilmar Olarte.
A condenação de Campoçano parece não ter afetado a situação dele na prefeitura, mesmo sendo acusado de enriquecimento ilícito. Ele não foi exonerado, até ontem, e segue como responsável pelos bens do município, sendo apontado, inclusive, como um dos responsáveis em realizar levantamento de todo o inventário municipal.
Pela resolução Semad n.2621, de 11 de setembro de 2014, Campoçano foi designado para presidir a Comissão e Avaliação Prévia dos Bens Patrimoniais Móveis do Município de Campo Grande.
A reportagem tentou contato no celular do secretário municipal de Administração, Valtemir Brito, porém ele não atendeu ou retornou as ligações.
Processo
O servidor público estadual Alex Armôa Teixeira foi condenado a oito anos e dois meses de prisão pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande. Ele é acusado de desviar R$ 558.170,60 do Tribunal de Justiça. Os pais e o cunhado do réu, no caso, Adriano Campoçano, também foram condenados e pegaram cinco anos de prisão no regime semiaberto.
Conforme a sentença, de 15 de agosto, a quadrilha – termo usado pelo próprio Tribunal – era composta pelos pais do funcionário, o policial civil aposentado Amaury Teixeira e Maria de Fátima Armoa Teixeira, e o cunhado, Adriano Campoçano.
A sentença decretou ainda a perda do cargo público ocupado por Alex e a reparação de danos em favor do Estado. Ainda em favor do Estado, como forma de garantia para o ressarcimento do dinheiro público subtraído pelos condenados, a sentença decretou a perda dos bens móveis e imóveis apreendidos nos autos da ação cautelar.