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SECA

Só um dilúvio pode levar o Cantareira à normalidade, diz presidente da ANA

Andreu participou de audiência pública convocada pelo deputado Guilherme Campos

Redação

13/11/2014 - 20h00
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O presidente da ANA, Vicente Andreu, afirmou nesta quinta-feira (12) que somente um dilúvio poderá levar o sistema Cantareira à normalidade em 2015.

Andreu participou de audiência pública convocada pelo deputado Guilherme Campos (PSD-SP) na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. Ele defendeu que seja colocado para a população a perspectiva de que é necessário um racionamento imediatamente para garantir algum abastecimento regular para o próximo ano.

O presidente da ANA afirmou ainda que o volume de chuvas em 2014 na região da Cantareira foi em média 50% abaixo do pior ano de uma série histórica de 84 anos, o que levou à crise hídrica atual.

Andreu apresentou números mostrando que hoje a Cantareira teria 20% abaixo do mínimo, se for desconsiderada a entrada de água decorrente do volume morto. E, para chegar aos cerca de 20% que os reservatórios tinham em janeiro de 2014, seria necessário chover quase 130 m3/s na região nos próximos dois meses. Esse nível é quase 20% acima dos melhores anos já registrados, segundo ele.

A realidade das chuvas, contudo, não está permitindo chegar a esse número, segundo Andreu. Em novembro, por exemplo, nos 10 primeiros dias não se chegou a 50% do mínimo de chuvas já registrados no mês, o que mantém a tendência de que choverá abaixo do mínimo para os próximos meses.

"A maior região econômica do país está refém das chuvas", afirmou Andreu lembrando que as obras anunciadas pelo governo estadual em parceria com o governo federal só terão algum efeito em um ou dois anos.

Das nove pessoas convocadas para a audiência pública, compareceram apenas o presidente da ANA e a procuradora da República. A justificativa da presidente da Sabesp, Dilma Pena, para não comparecer foi de que está empenhada em resolver o problema do abastecimento e não teria tempo para comparecer à audiência. Já o secretário de Saneamento de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que não compareceria por ter outros compromissos agendados previamente.

O deputado Campos afirmou que a postura do governo paulista é irresponsável por não alertar à população sobre a gravidade do problema e não tomar medidas para reduzir o uso.

"Se não houver o dilúvio, vai faltar água", disse o deputado lamentando as perspectivas otimistas que o governo de São Paulo está adotando. "Quando a população for chamada para a gravidade do problema, a população vai contribuir".

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