O Tribunal de Justiça negou pedido de liberdade a Jonilton Jackson Leite de Almeida. Ele está envolvido no caso do latrocínio dos universitários Breno Silvestrini e Leonardo Batista, 18 e 19 anos, executados a queima roupa no dia 30 de agosto de 2012, em Campo Grande. Os bandidos que mataram os jovens queriam roubar uma caminhonete Pajero para trocar por drogas na Bolívia.
Jonilton, vulgo ‘cupim’ ou ‘tia’, é apontado pela Polícia Civil como um dos maiores negociadores de caminhonetes, vindas do Mato Grosso do Sul com destino a Bolívia. Ele teria feito toda a negociação da troca da caminhonete por dinheiro ou droga com os executores do crime.
A defesa pediu absolvição, diminuição das penas bases e reconhecimento da confissão espontânea. Sustentou, ainda, que o apelante não pode ser acusado de latrocínio, nem de formação de quadrilha, pois não mantinha associação com os outros acusados e não participou de forma ativa no crime
Para o revisor do processo, desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva, a participação do acusado ficou evidente nos autos do processo, de forma que encomendava veículos com características específicas aos demais acusados, para venda na Bolívia e também para troca por drogas, ciente da origem ilícita, quer houvesse vítimas ou não. Conforme as provas existentes nos autos, que o réu, pessoa conhecida na região de fronteira como receptador de veículos roubados, seria quem intermediaria a venda da caminhonete no país vizinho, prática extremamente gravosa, que fomenta outros ilícitos, como o ocorrido neste processo.
“No caso sob análise foram ceifadas as vidas de dois jovens estudantes e a forma brutal, desumana e impiedosa com que foram sacrificados causou extrema comoção na cidade inteira, como foi divulgado pela mídia. A atitude dos acusados criou um verdadeiro clima de terror no seio das famílias do estado todo, que tinham filhos na idade das vítimas. E tal comoção foi tanta que levou a população para as ruas, em ruidosas manifestações clamando por justiça. Todos esses fatos são públicos e notórios, que independem de prova”.