Pelo menos 200 famílias vivem em situação irregular em uma área que começou a ser invadida há mais de uma década no Jardim Inápolis, na região do Núcleo Industrial Indubrasil, em Campo Grande. Os moradores afirmam que representantes da prefeitura garantiram que a situação seria regularizada. Porém, sem as escrituras dos imóveis em mãos, há o temor por um possível despejo.
Parte das famílias que ocupam a área é de índios terenas, que moravam na região de Aquidauana e Anastácio – distantes 143 km da Capital. É o caso de Sebastião Carlos dos Santos, 61 anos, que há 14 anos deixou a Aldeinha de Anastácio.
“Vim para cá para procurar emprego na cidade. Por lá, estava muito ruim para conseguir serviço”, diz o terena hoje aposentado, mas que sobrevive também dos bicos que faz no ramo de jardinagem.
Ele conta que pagou R$ 120, na época, pelo pequeno lote, onde ergueu o seu barraco de madeira. Hoje, o contrato de gaveta assinado pelo vendedor é a única garantia de que a propriedade lhe pertence. Mas depois de muitos anos morando em condição precária, o terena está perto de mudar a vida para melhor. Ele foi contemplado com uma casa no Residencial Nelson Trad, no Jardim Carioca, e aguarda apenas os trâmites legais para se mudar para o novo lar.
No caso de Taila da Silva de Campos, 26 anos, a situação não é tão animadora. Além de não ter conseguido uma casa por meio de programas sociais, ela ainda vive com o receio de um possível despejo do barraco onde mora há 13 anos. A maior preocupação é com os cinco filhos, o mais novo com apenas um ano. “Só temos este lugar para morar, se tirarem a gente daqui, vamos para onde?”, questiona. Taila admite que comprou o lote pelo valor de R$ 300, mesmo sabendo que estava irregular. Entretanto, ela decidiu assumir o risco porque era o único negócio viável, em razão da falta de dinheiro na época em que se casou.
A reportagem, de Rafael Bueno, está na edição de hoje (16) do jornal Correio do Estado.