O secretário de Estado de Obras Públicas e de Transportes em Mato Grosso do Sul, Edson Giroto, afastou-se do emprego ontem, 12 dias antes de expirar o mandato do governo André Puccinelli (PMDB). Ele saiu sem concluir notáveis tarefas, como o término do pavimento de quatro rodovias, o prédio da Universidade Estadual, em Campo Grande, a construção de dois hospitais cujos projetos nem sequer saíram do papel e, ainda, a mais expressiva edificação do governo, o Aquário do Pantanal.
Giroto estava no cargo desde o início de abril do ano passado quando, convencido por Puccinelli, deixou o mandato de deputado federal.
O governador disse à época ter trazido Giroto para apressar as pavimentações de estradas, justamente as tarefas que ficaram para trás. “Pelos meus cálculos, estas obras estavam 90% prontas”, defendeu-se.
Para o agora ex-secretário, a chuva atrapalhou seus planos, daí o atraso no asfaltamento das vias estaduais. “Se tivesse mais dez dias de sol...”, disse ele à reportagem na semana passada, quando ainda nem especulava-se o pedido de demissão. O discurso de Giroto é o mesmo pregado por Puccinelli, que acusa a chuva como culpada pela lentidão nas obras. As queixas dos dois poderiam ser outras, caso os planejadores das obras ficassem atentos ao serviço de meteorologia, que raramente equivoca-se em suas previsões.
Giroto foi embora sem terminar a pavimentação das rodovias MS-316/320, entre Inocência e Cassilândia, a MS-162, divisa do distrito de Quebra Coco e Dois Irmãos do Buriti, a MS-180, via que liga Iguatemi a Juti e, também, outro trecho da MS-162, que junta a universidade ao centro de Dourados.
Dourados
Marcada para ficar pronta em outubro passado, outra obra do MS Forte 2, programa desenvolvimentista que o governo afirma ter aplicado R$ 3,6 bilhões, é a MS-162, no trecho da chamada Avenida Guaicurus, em Dourados.
Orçada em R$ 32 milhões, a obra começou a sair do papel no fim do ano passado, quando começou o processo licitatório.
O Consórcio Guizardi-J. Gabriel, que venceu a concorrência, tinha o prazo de concluir tudo em até 270 dias, isto é, as obras de pavimentação e a iluminação dos 11,8 quilômetros da rodovia deveriam ter sido entregues em agosto deste ano.
Contudo, parte da iluminação só começou a ser instalada em setembro. A obra é motivo de protestos e mobilizações de douradenses há, pelo menos, quatro anos, principalmente em razão de a via ser a principal ligação entre Dourados e a cidade universitária, região que abriga a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
O governo prometeu, sem cumprir ainda, a construção do Hospital Regional de Três Lagoas e etapa do Regional de Dourados.