Ao assumir o governo do Estado no próximo dia 1º janeiro, Reinaldo Azambuja não terá tempo de estabelecer com o nosso povo qualquer tipo de trégua, diante de tantos e enormes desafios que terá de enfrentar.
Essa batalha será muito maior e mais difícil de enfrentar do que aquela travada durante a campanha eleitoral. Trata-se de uma luta titânica que o futuro governador terá de encetar para poder realmente colocar em prática sua plataforma administrativa de governo que tem as pessoas, especialmente, as mais pobres, os destinatários maiores dos seus salutares propósitos, como sempre enfatizou em seus pronunciamentos.
A proposta é realmente encantadora, mas é certo que não será algo fácil vê-la implantada de uma forma imediata, rápida e eficaz.
O Estado que vai receber não é nem de longe aquele radiografado pela sua equipe de transição. Tampouco a peça orçamentária, cuja participação sua foi nenhuma na elaboração, reflete a realidade social, econômica e financeira do ente federado que irá administrar. A dedução é lógica e incontrastável. Não se pode ter, em hipótese alguma, em se tratando de peça orçamentária, que a sua execução financeira e a execução orçamentária, embora paralelas e próximas, sejam idênticas e simultâneas. Não é verdade esse tipo de entendimento. Elas não são. Aí está a residir o grande desafio de Reinaldo para criar as condições de governabilidade com um céu aberto, esplendoroso e radiante, ou sucumbir na camada espessa que envolve a escuridão e que chega próximo da realidade que não queremos protagonizar, o inferno.
Mas, dentro desse quadro real e não fictício, nem tudo está perdido. Estancar a roubalheira que sangra o nosso tesouro e conspira frontalmente contra os superiores interesses do povo seria, a toda evidência, um excelente sinal para se constituir na marca singular da sua forma de governar.
Aliando-se a esse tema delicado outro de maior envergadura, que também precisa ser enfrentado e vencido com a resistência própria dos que respeitam o dinheiro público, está em conter a voracidade sem limite de diretores e presidentes das empresa que contratam com o governo estadual, obras e serviços, sempre dispostos às negociações sórdidas e nefastas consubstanciadas e transfiguradas nas consciências venais, de cada qual. Reinaldo tem tudo para fazer o céu vencer o inferno.
A pujança do nosso estado, evidenciada pelas suas riquezas naturais e as que são arrancadas de suas entranhas consubstanciadas, sempre na força de trabalho de homens e mulheres que se debruçam sobre suas propriedades, e oficinas de trabalho, dia e noite, para produzirem bens e serviços e serem todos partícipes do nosso desenvolvimento econômico e social, não pode conviver pacificamente com um quadro estarrecedor de miséria visualizada pela fome e pelo desrespeito, que abundam em todos os quadrantes do nosso estado, especialmente, nas áreas periféricas das comunidades.
Essas riquezas precisam ser direcionadas para mitigar as dores dos que sofrem, enxugar as lágrimas dos que padecem sempre acompanhadas de políticas públicas embasadas e discutidas, à exaustão, com a população antes de iniciar as suas execuções. Esse o retrato explícito do céu.
Mas, se Reinaldo optar por outro caminho tortuoso, espinhoso e cheio de armadilhas, e que tem como suporte básico a não contenção dos gastos da máquina pública, cínica e perdulária, transformará cada dia de seu mandato em um martírio maior do que pode oferecer sua resistência cívica, sua fé democrática e o seu propósito de bem e de fielmente servir o seu povo. É o retrato fiel do inferno.
A nossa torcida é que o céu vença o inferno com larga margem de dianteira e seja o sinalizador de que o diagnóstico das carências a suprir e das dificuldades a enfrentar, aliado ao escalonamento preciso e fundamentado das prioridades a serem oferecidas aos governados, possam se constituir no paradigma que nos leve efetivamente a conhecer bem e com clareza o pensamento político do nosso futuro gestor público e o seu projeto de ação para realizá-lo.
Saúde e inteligência a Reinaldo são os nossos votos e, também, para que promova efetivamente uma administração que retrate o clima de paz, progresso e prosperidade para todas as nossas famílias, independentemente, da sua classe social, do seu credo religioso e das suas convicções políticas.