Com as águas da última cheia ainda alimentando as baías, lagoas e vazantes, a bicharada – mamíferos, répteis e aves – se concentra à beira da Estrada Parque, em Corumbá. Turistas americanos hospedados no Passo do Lontra, comunidade situada às margens do Rio Miranda, a 7 km da BR-262, surpreenderam-se com a presença de um cervo galhudo a poucos metros, que se alimentava em meio a um alagado.
É baixa temporada na unidade de conservação criada em 1993, na sub-região pantaneira da Nhecolândia, apenas para brasileiros. Os estrangeiros – americanos ou europeus – visitam aquele paraíso em qualquer época do ano, numa rota turística associada com Bonito. Depois que foi asfaltada a Rodovia MS-178, entre Bonito e Bodoquena, o fluxo turístico aumentou 30% na Estrada Parque.
Um dos principais atrativos do lugar, além da sua rica biodiversidade e o fenômeno da cheia, é o ambiente rústico, que proporciona ao visitante uma sensação de aventura em uma das regiões mais belas do Pantanal sul-mato-grossense. As pousadas ao longo dos 120 km da Estrada Parque oferecem a simplicidade e a hospitalidade do homem pantaneiro, sem falar da variedade de sua gastronomia.
A estrada foi aberta pelo sertanista Cândido Rondon, no início do século passado, e o traçado preservado mantém sua condição primária, dando acesso às grandes fazendas de pecuária. É comum trafegar pela via e se deparar com uma comitiva de gado, cada vez mais rara. É uma oportunidade para vivenciar os hábitos dos peões em suas vestimentas típicas em couro, no lombo do cavalo marchador, herança indígena e paraguaia.

Casa de Rondon
Trafegar sem pressa pela via proporciona momentos inesquecíveis. A parada nas mais de 60 pontes de madeira de vazante é obrigatória. Elas concentram bandos de jacarés e outros animais, como ariranha e capivara. Com as lagoas de águas baixas, os tuiuiús, garças e colhereiros “caçam” pequenos peixes, anfíbios, moluscos e insetos. No galho, o martim-pescador prepara o mergulho para pegar um cascudo.

No caminho, também se observam revoadas de pássaros e a presença das araras-azuis nos troncos secos das árvores. Avistar uma onça-pintada depende da sorte. O trecho de maior atratividade e de estrutura hoteleira tem 68 km, entre o Passo do Lontra e o distrito Porto da Manga, onde a travessia do Rio Paraguai é feita de balsa. A Manga guarda um tesouro: a casa de telégrafo construída em 1904 por Rondon.
O passeio é ideal em família, mas é preciso atenção ao dirigir na estrada, para não atropelar animais, e se precaver ao forte calor e pernilongos. As pousadas, entre o Lontra e a Curva do Leque, oferecem, além do conforto e boa alimentação, pacotes com guias bilíngues incluindo caminhadas em trilhas, cavalgadas, focagem noturna de jacaré, safári fotográfico, passeios de canoa canadense, pesca da piranha e mergulho.
Serviço
A fazenda Santa Clara (9665-1394/9939-3570), localizada no Km 22, às margens do Rio Abobral, tem pista de pouso e oferece transporte em veículos climatizados a partir de Campo Grande. O Parque Hotel Passo do Lontra (3231-6569/9987-2569) tem uma confortável estrutura de chalés, em palafitas, na beira do Rio Miranda, onde a atração é uma passarela de 2 km, em meio a alagados e mata, para observação de animais e aves. Na fazenda São João (3231-3029/9922-5482), o turista tem a opção do redário e camping. A Pousada do Lontra (3231-9494) conta com apartamentos, restaurante e loja de artesanato.