Cidades

ARTIGO

Marta Suplicy volta a criticar governo e diz que Dilma age sem transparência

Para senadora, País vive crises econômica, política, moral, ética, hídrica e energética

Redação

27/01/2015 - 12h41

A senadora Marta Suplicy (PT) voltou a criticar o governo Dilma Rousseff e a condução feita pela presidente da política econômica. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo desta terça-feira (27), intitulado "O diretor sumiu", a senadora e ex-ministra diz que hoje o país vive crises econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional por ausência de transparência, confiança e credibilidade. "Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir", afirma.

A senadora -que foi ministra da Cultura no primeiro governo Dilma- criticou a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, "nome que agrada ao mercado e à oposição, sem explicar o porquê da escolha". "Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação." Diz ainda que a realidade "não é nada rósea" como foi dito durante a campanha eleitoral, e que não há clareza sobre o que pensa a presidente. "Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe", diz, sobre o episódio em que a presidente fez circular nota corrigindo o ministro Nelson Barbosa (Planejamento), negando que haverá mudança na regra de reajuste do salário mínimo.

Corrupção

As críticas também atingem o PT. Segundo Marta, o partido "embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção".
Segundo ela, o país vive um "estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança", abalando o mercado, que não investe. E termina o artigo afirmando que "o diretor sumiu". O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) usou o Twitter para contestar o artigo de Marta, o qual classificou como "inaceitável". Segundo ele, o artigo não traduz o sentimento dos petistas nem do povo brasileiro.

Críticas

Não é a primeira vez que a senadora petista critica seu partido e a presidente. Neste mês, ela já havia dito, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", que a política econômica de Dilma era um "fracasso" e que a mandatária não mudou os rumos da gestão "porque isso fortaleceria a candidatura do Lula". Questionada se a nova equipe econômica poderia recorrer a Lula se contrariada, a senadora afirmou: "Você não está entendendo [referindo-se à jornalista]. O Lula está fora, totalmente fora."

Ao "Estado", Marta se disse decepcionada com o próprio partido e que se sente "há muito tempo alijada e cerceada". "Cada vez que abro um jornal fico estarrecida (...) É esse o partido que ajudei a criar e fundar?". Disse também que o ex-presidente, em jantar organizado por ela com empresários, "entrou nas críticas" dos presentes e "decepava (sic) ela [Dilma]". Marta afirmou ter ouvido Lula reclamar de dificuldade na relação com Dilma. "Estou conversando com ela, mas não adianta, ela não ouve", teria dito o petista.Partidários afirmam que a senadora tece as críticas com o intuito de forçar sua saída do Partido dos Trabalhadores.

O Palácio do Planalto avalia que ela tenta, com sua saída do PT, concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2016 por outro partido. O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) chegou a dizer que as críticas anteriores de Marta eram tema superado.
Tanto Lula quanto o PT já sinalizaram à senadora que desejavam sua permanência na legenda. Mas o diretor do Instituto Lula, o ex-ministro e assessor de Lula Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), classificou na semana passada à Rádio Brasil Atual, ligada à CUT, e em entrevista à Folha, como "sórdida", "chocante", "intolerável" e "inaceitável" -entre outros adjetivos- a "manobra" usada por Marta ao revelar conversas particulares que ela teve com Lula. Vannuchi ressaltou que não fala em nome de Lula. Na ocasião, Marta foi procurada para comentar a entrevista do diretor do instituto, mas não respondeu.

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