Os advogados Maurício Rasslam e Diego Neno Rosa Marcondes, reuniram a imprensa nesta sexta-feira (06), em Dourados, para comunicar que foi transferido para São Paulo o julgamento dos indígenas acusados de matar dois policiais civis de Dourados e tentar matar um terceiro. O homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio qualificado aconteceram no dia 1 de abril de 2006 em Porto Cambira, próximo ao Distrito Industrial de Dourados.
Além de Maurício e Diego, o sobrevivente, - policial aposentado após a tragédia, Emerson Gadani, concederam entrevista.
Segundo Maurício Rasslam, a medida gera decepção aos familiares das vítimas, os policiais Rodrigo Lorenzato, Ronilson Bartie, Emerson Gadani e à população de Dourados que, segundo ele, é quem deveria julgar o caso no Tribunal do Juri.
A medida adotada pelo Ministério Público Federal, conforme afirma o advogado Maurício Rasslam, foi baseado em laudo de antropólogo da Justiça. A justificativa é que a população sul-mato-grossense, segundo os autos, presume-se impregnada de preconceitos por conta das disputas travadas entre fazendeiros e indígenas, o que poderia prejudicar o julgamento dos acusados.
Para os advogados, os julgamentos deveriam ocorrer em Mato Grosso do Sul, não em São Paulo. "A população pede Justiça e o juiz natural, neste caso, é Dourados", disse Maurício.
Conforme o advogado, o processo já havia sido retirado da primeira Vara Estadual e levado para a Justiça Federal, que agora é competente para julgar. No entanto, não se trata de crime relativo a disputa de terra, mas sim de homicídios qualificados e tentativa de homicídio qualificado.
"A gente fica fora do julgamento, mas fica com o problema, com a tutela destes índios, inclusive em relação à criminalidade nas reservas de Dourados. A Justiça deve ser igualitária", enfatizou Maurício Rasslam.
O policial Emerson Gadani disse que há quase nove anos vem tentando se recuperar do trauma decorrente da tragédia que matou dois colegas em serviço e quase tirou a sua vida. "Com todas as provas, todo relato concretizado é inadmissível que não haja sequer respeito para com os que já se foram e quem ficou", desabafou.