O secretário de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seintrha), Valtemir Alves de Brito, o Caco, conseguiu “enrolar” ontem o Ministério Público Estadual (MPE) e a Câmarade Vereadores de Campo Grande, que investigam a enxurra-da de denúncias de buracos fantasmas que apareceram depois que um funcionário da empreiteira Selco, uma das integrantes da operação, ter sido flagrado pelas câmeras de um condomínio no Parque dos Poderes tapando buracos que não existem.
Na 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, Patrimônio Público e Social, onde é investigado sobre o assunto pelo promotor William Marra Silva Júnior, o município protocolou, no último dia do prazo para entrega dos documentos de todos os contratos de empreiteiras que prestam o serviço de tapa-buraco na Capital,um pedido para prorrogação do prazo para mais cinco dias. Na Câmara de Vereadores, Caco não respondeu as inúmeras perguntas feitas na reunião que iria definir se a Casa de Leis iria ou não abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Os vereadores tiveram de ficar satisfeitos com a promessa de que a pasta enviaria todas as respostas por escrito aos gabinetes com o mesmo conteúdo que não entregou ao MPE, mas sem prazo definido.
Após a repercussão nacional do caso, Caco afirma que o município e a empreiteira envolvida na denúncia coletaram material no local em que foi feito o vídeo para fazer um laudo técnico. “Finalizando o nosso laudo e o da empresa, vamos confrontar as informações”, afirmou sem dar uma previsão de quando isso seria feito. Questionado sobre a credibilidade de dois documentos das partes envolvidas na denúncia ele desconversou. Na oportunidade que teve para dar uma resposta do escândalo da operação tapa-buraco, o secretário fez uma explanação muito superficial. “Naquela região,onde foi feito o vídeo, há um emaranhado de rachaduras. Quando tem fissura no asfalto, ocorre a infiltração e cria o buraco. As ações preventivas são mais baratas do que tampar o buraco depois”, justificou sem saber ao menos distinguir o valor para tapar um buraco e uma fissura.
A reportagem, de Gabriela Couto, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.