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SP: chuva atinge cerca de 300 imóveis e deixa 18 ruas alagadas na Vila Itaim

SP: chuva atinge cerca de 300 imóveis e deixa 18 ruas alagadas na Vila Itaim

Redação

18/02/2015 - 22h00
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A situação dos moradores do bairro Vila Itaim, na zona leste da capital paulista, ainda é crítica em razão da chuva que atinge a região desde a noite de segunda-feira (16).

De acordo com a prefeitura, a área afetada é uma ocupação irregular que fica em uma região de várzea do Rio Tietê. Entre 250 e 300 imóveis foram atingidos pela chuva, em 18 ruas que estão parcialmente alagadas, segundo estimativa do governo municipal. Hoje de manhã, foi montado um posto da Defesa Civil e da Assistência Social na Rua Aramaçã para atendimento às famílias ilhadas. Algumas áreas só podem ser acessadas de bote.

Um dos moradores que procuraram o posto móvel montado pela prefeitura foi Rodrigo Gomes, 26 anos, para solicitar um atestado e justificar a ausência no trabalho. Ele contou que a esposa torceu o pé na área do alagamento. “Moro aqui desde que nasci. Isso aqui acontece sempre. Em 2009 foi a pior”, relatou ele, que trabalha na limpeza de bueiros. Rodrigo mostra a perna para indicar a altura em que a água subiu na sua casa, mas explica que na dos vizinhos ficou acima do joelho. Ele avalia que o fato de a água vir do Rio Tietê representa um risco adicional para a saúde. “Da outra vez, tive uma infecção no pé, dava para ver o osso.”

O subprefeito de São Miguel Paulista, Adalberto Dias de Souza, esteve hoje no local para avaliar os estragos e as medidas necessárias às famílias. Ele avalia que o ideal seria retirá-las da área alagada, pois nova chuva pode tornar mais grave a situação. “Os moradores que não querem sair de suas casas estão sendo respeitados. Vamos prestar apoio para que passem por mais esse transtorno”, declarou. Para os que decidirem deixar as casas, será oferecido abrigo e bolsa aluguel. Ele informou que os moradores estão sendo cadastrados e serão isentos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

A doméstica Eliane Graciete, 45 anos, mora na área há sete anos e já passou por situação parecida. “Todo ano é a mesma coisa. No quintal de onde eu moro, subiu água até o joelho. Na casa mesmo, deu para salvar, mas minha irmã perdeu tudo”, relatou. Ela conta que a falta de energia elétrica na madrugada de segunda-feira (16) impediu que alguns moradores retirassem seus móveis. O aposentado Roberto Ramos, 75 anos, dos quais 53 anos na mesma casa, teme que nova chuva agrave a situação no bairro. “Antes, a água não chegava aqui, mas agora já alagou. Está piorando”, avaliou. Ele mora com a mulher e uma filha.

Souza disse que a prefeitura solicitou ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do governo estadual a abertura das comportas da barragem da Penha, mas o pedido não foi atendido. “Por mais que falem que não está intervindo, por que não abrem? Se falam que não faz diferença, então que abram as barragens, baixem tudo que é possível. Tenho certeza que essa água vai escoar mais rapidamente”, desabafou. A Agência Brasil procurou o Daee para que o órgão se posicionasse, mas não houve retorno até a publicação da matéria.

Além disso, prefeitura e governo estadual divergem em relação aos encaminhamentos para a construção de um pôlder (terreno protegido por diques contra inundações) na Vila Itaim. Ele foi anunciado em 2013 pelo prefeito Fernando Haddad e pelo governador Geraldo Alckmin como medida para solucionar o problema das enchentes na área. Segundo a prefeitura, o governo do estado deveria ter apresentado o projeto da obra para que fosse possível remover as moradias do local. O estado, por sua vez, informou que aguarda o reassentamento de 250 famílias e que o projeto básico já foi entregue.

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