O plano de trabalho traçado pela oposição para o início da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados que vai investigar irregularidades na Petrobras não tem previsão de convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).
Os oposicionistas apostam na presença do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), do tesoureiro do PT, João Vaccari, e do ex-gerente da estatal Pedro Barusco para o começo das investigações, numa tentativa de constranger o Planalto.
Dirceu foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Youssef como um dos destinatário do dinheiro desviado de contratos da Petrobras. Segundo o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), há outras prioridades para os trabalhos do que a convocação do ex-presidente Lula ou de Cardozo, que teriam mantido conversas com pessoas ligadas as empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
Presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) disse que não terá uma iniciativa para levar Lula para a comissão.
"Não vou tomar iniciativa individual nessa direção. A CPMI deve estar aberta a todas as possibilidades. Vamos atuar em conjunto com os partidos de oposição, no sentido de termos uma ação coordenada, conjunta e estratégia bem traçada", disse.
O PSDB prepara requerimentos pedindo quebras de sigilo e convocações, além de reivindicar a criação de subrelatorias para tentar ditar o ritmo de parte das investigações.
Pelo roteiro, seriam três subrelatorias: Sistematização, com o objetivo de organizar todo o acervo probatório da comissão; Operacional, para conduzir a investigação propriamente dita e Núcleo Político, para investigar a atuação de agentes políticos na organização criminosa que se instalou na Petrobras.
O PSDB vai sugerir ainda que a investigação siga seis núcleos, conforme o âmbito das denúncias: público, privado, operacional, político, externo e estratégico.
A comissão está marcada para começar a trabalhar na próxima quinta-feira (26). Os partidos da base aliada são maioria e terão o controle das investigações.