Para tentar resolver o problema da superlotação que leva crianças a estudar em bibliotecas e laboratórios, a Prefeitura de Campo Grande vai gastar R$ 4,2 milhões na construção de 38 salas de aulas modulares em nove escolas e em três Ceinfs. A medida emergencial tenta suprir a demanda por vagas de estudantes na Rede Municipal de Ensino, onde faltam salas de aula e as escolas têm de improvisar para acomodar as crianças.
Estas salas modulares deveriam ser entregues até o início de fevereiro, antes do início do ano letivo, que ocorreu dia 19 do mês passado, mas somente ontem os contratos das empresas vencedoras dos quatro processos licitatórios tiveram seus extratos de contrato divulgados.
Em 2015 a prefeitura pretende fazer 60 novas salas de aula em 20 escolas. Cada sala possui 30 metros quadrados e tem capacidade para atender até 30 alunos. No total, 3.600 crianças e adolescentes serão atendidos com a medida adotada pelo município.
Procurada, a prefeitura limitou-se a informar que as salas modulares possuem cobertura com telha de aço, com revestimento acústico, que não deixa passar o ruído da chuva.
Em vez de construir novas escolas, a Prefeitura de Campo Grande adotou esta medida paliativa para atender as crianças matriculadas na rede de ensino (aproximadamente 100 mil), pois não há tempo hábil para solucionar esse problema de maneira concreta durante este ano.
A demora no início da construção dessas salas de aula causa desconforto para estudantes de algumas escolas que estão assistindo aulas em locais improvisados. É o caso da escola municpal Celina Martins Jallad, no Residencial Oiti, onde serão construídas três salas de aula. Lá, 140 estudantes têm assistido aula na biblioteca da escola e nos laboratórios.
Na escola Municipal Rachid Saldanha Derzi, no Jardim Noroeste, a demora está prejudicando a transferência de estudantes da região que estão esperando a construção das salas para se transferir para a unidade escolar. As salas que vão ser construídas na Escola Professor Fauze Scaff Gattass Filho, no Jardim Carioca, atenderão alunos do 6º ano ao 8º ano do Ensino Fundamental. A demanda cresceu significativamente na região por conta da construção do Residencial Nelson Trad.
Para construir as novas salas, duas empreiteiras ganharam a licitação, que foi divulgada pela prefeitura ontem. A Empresa Santos & Barbosa de Souza Ltda. ficou responsável pela construção de sete escolas e três Ceinfs. A Empresa Pavitec Construtora Ltda. vai construir duas escolas e um Ceinf.
A Prefeitura de Campo Grande não soube explicar que tipo de material seria usado na construção dessas salas de aula.
PROBLEMAS
A Escola Municipal José Mauro Messias da Silva, onde no mês passado o Correio do Estado flagrou alunos tendo aula na biblioteca, não foi contemplada nos quatro contratos (que juntos somam R$ 4,2 milhões) para compra e instalação de salas modulares.
Na mesma escola, dezenas de alunos tiveram de ser levados para um Centro de Educação Infantil (Ceinf) do mesmo bairro, onde aguardam uma solução a ser tomada pelo município.
A prefeitura, no mês passado, informou que o Ceinf cedeu espaço para o pré I e o pré II, até que as salas que serão construídas na escola fiquem prontas. Mas ainda não foi informado quando será o começo e finalização dessa construção.