Dobrou o número de deficientes visuais que aguardam por atendimento no Instituto Sul Matogrossense para Cegos “Florivaldo Vargas” (Ismac). Os 17 profissionais cedidos pelo governo estadual tiveram sua carga horária reduzida neste ano em até 20 horas semanais, o que provocou a falta de vagas. Hoje, a organização possui mais de 500 alunos matriculados.
A reclamação também é sobre a falta de profissionais em áreas que são essenciais para o atendimento dos alunos, já que com a redução da jornada profissionais deixaram de atender em alguns setores, como fonoterapia e fisioterapia.
De acordo com o presidente do instituto, Marcio Ramos, a falta de profissionais não está relacionada apenas à falta de recursos, mas também à redução de jornada dos profissionais, além do remanejamento de secretarias; eles pertenciam à Secretaria de Estado de Educação e passaram para a pasta da Saúde. Marcio disse que os motivos que levaram à redução não foram esclarecidos, mas, para tentar diminuir a espera, alguns dos alunos são encaminhados para atendimento externo, é o que explicou o presidente da instituição. “Contamos com a ajuda de parceiros para darmos conta da demanda. Para os exames de oftalmologia, por exemplo, o encaminhamento é para universidades”.
O local existe há 58 anos, é o único do Estado preparado para atender pessoas com deficiência visual e presta atendimento de crianças a idosos, mas com a falta de profissionais é possível encontrar o instituto vazio em dias que era de grande movimento. Dentre os serviços oferecidos, o Ismac tem aulas de leitura em braile, terapias, reabilitação visual, capacitação profissional e até turma de esporte.
Para sobreviver e dar continuidade aos projetos, o instituto recebe doações, das quais uma vem da prefeitura da Capital, que repassa mensalmente pouco mais de R$ 4 mil (R$ 58 mil por ano).
Drama
A dificuldade em encontrar atendimento na casa foi vivenciada pela dona de casa Rubenita Siqueira, 44 anos, mãe de um deficiente visual de 6 anos. Ela contou que buscou ajuda da instituição ainda quando o filho tinha 6 meses e garantiu que o local se tornou indispensável para a qualidade de vida da criança. Apesar dos benefícios, a situação encontrada hoje no instituto, segundo ela, não é das melhores. Rubenita denuncia a falta de profissionais e, para dar continuidade ao tratamento do filho, disse que a solução encotrada foi buscar atendimento particular. “Agora gasto mais de R$ 500 com as consultas fora da instituição, por causa da falta de vagas”, reclama.
O próprio presidente, Márcio Ramos, foi aluno do instituto e contou que foi graças ao atendimento recebido que conseguiu se formar. “Se não fosse esse lugar, não saberia nem ler, por isso é preciso que a casa ganhe a assistência necessária para dar continuidade ao projeto”, incentiva.
Outro lado
O governo do Estado informou que o termo de cooperação assinado entre o Instituto e a Secretaria de Educação em 2014 permanece no mesmo formato e discordou que houvesse redução na carga horária ou transferência de profissionais para outras secretarias.