Cidades

ENTREVISTA

Olarte diz que 2015 é o ano em que efetivamente começa sua gestão

Ele completa um ano como prefeito, diz que crise ficou no passado e garante novidades em 2015

Redação

15/03/2015 - 15h30

Gilmar Olarte encontrou série de dificuldades ao assumir a Prefeitura de Campo Grande, depois da cassação de Alcides Bernal. Obras paralisadas, serviços suspensos e falta de itens essenciais à população retratavam as mazelas do período, que ele classifica como desmonte da máquina pública. Na sexta-feira (13), completou-se um ano em que ele está à frente da administração municipal e muitos desafios ainda não foram superados. Apesar do desequilíbrio nas finanças, Olarte garante que a crise passou e promete que em 2015 começará efetivamente sua gestão. Na entrevista, ele fala das obras pendentes, da previsão de novos investimentos e das questões políticas.  
  
CORREIO PERGUNTA – No dia 13 deste mês, completa-se um ano de sua administração. Na sua avaliação, quais foram as principais dificuldades herdadas? 

Gilmar Olarte – Houve desmonte da máquina pública, paralisação total de obras e serviços e descumprimento de  regras mínimas, como a aquisição de remédios, o repasse de recursos para entidades assistenciais ou o abastecimento de alimentos nas escolas e nos centros de educação infantil. Esses problemas nós resolvemos com um orçamento que não havia sido elaborado por nós e, mesmo assim, conseguimos fechar o ano de 2014, honrando os compromissos com os servidores e fornecedores. O grande desafio é terminar as obras paralisadas, uma vez que, depois de mais de ano sem movimentação, muitas empresas entraram com pedido de recuperação judicial, foram à Justiça ou simplesmente abandonaram os canteiros. Hoje, muitas obras inacabadas precisarão ser licitadas de novo para podermos concluí-las. Um problema não visível, mas real, foi o descrédito da administração pública perante os empreendedores e a sociedade, tanto que, hoje, amargamos uma grande queda de receita decorrente de um ano e dois meses de desrespeito aos cidadãos. Esse patrimônio a gente demora a recuperar, mas nós vamos conseguir quando as pessoas virem os resultados. 
 
O que destaca de melhorias para a população neste perío­do?

O primeiro benefício é que a prefeitura voltou a funcionar: há remédios nos postos de saúde, médicos nos postos, projetos em andamento, análise de alvarás, habite-se e incentivos fiscais. Hoje, nós estamos fazendo a nossa parte. Já entregamos 3.176 unidades habitacionais, estamos concluindo 2.030 e correndo atrás de outros projetos de moradia e dignidade para a nossa gente. Campo Grande é destaque no País por gerir  primeira  Casa da Mulher Brasileira. Inauguramos, equipamos e colocamos para funcionar seis Centros de Educação Infantil em um ano, quando a média dos últimos 16 anos era de 2 a 3 novos Ceinfs por ano. Criamos a Secretaria municipal de Segurança Pública e implantamos o Centro Pediátrico Municipal, uma solução nossa para o grave problema do atendimento às crianças na rede pública de saúde. Aberto 24 horas, o centro contribuiu para comemorarmos a menor taxa de mortalidade infantil da história de Campo Grande (8,55) – e vai baixar mais. Também reduzimos a razão de mortalidade materna de 65,94 para 22 óbitos maternos. 
Hoje, a prefeitura funciona. As pessoas chegam lá e são atendidas, os pagamentos estão em dia, nossas crianças recebem uniformes e kits escolares, enfim, estamos fazendo o dever de casa.

Algumas obras são esperadas há anos pelos moradores, a exemplo da conclusão de Centros de Educação Infantil (Ceinfs), postos de saúde, Centro de Belas Artes, Hospital do Trauma, revitalização do Centro. Quais impasses para destravá-las?

Há impasses técnicos, de projetos; há questões jurídicas relativas às empresas que detêm a licitação das obras; e, obviamente, problemas de fluxo de caixa para concluir todas as obras de uma vez só. Mas estamos caminhando. Entregamos oito unidades de saúde e Centros de Educação Infantil. Vamos concluir agora as três UPAs (Moreninha, Leblon e Santa Mônica) e mais oito unidades básicas de saúde, investindo nessas obras de saúde R$ 14 milhões. Fecharemos, nos próximos dias, a programação de entrega de Ceinfs de 2015 e 2016. A revitalização do Centro depende de aprovação do financiamento junto ao BID, pelo Senado. Falamos com a representante do banco aqui em Campo Grande e temos boas perspectivas de avanços. Estamos em vias de licitar a retomada do Terminal Intermodal de Cargas (TIC) e assim vamos avançando. A licitação do Parque Anhanduí, que estava no papel desde 2007, é um indicador que estamos no caminho certo.  
 
O que os moradores podem esperar de novidades em 2015? Há novos projetos de investimentos? 

Sim, a população pode esperar muitas novidades em 2015, afinal, este é o ano em que começa, efetivamente, a nossa gestão. O PAC Pavimentação entra, agora, em ritmo firme de execução: são 92 km de asfalto e 35 km de drenagem nos bairros Mata do Jacinto, Alto S. Francisco, Sírio Libanês, Portal do Panamá, Belinatte, Seminário e Atlântico Sul. Pela primeira vez, o asfalto chega na sequência do esgoto e não haverá o corte do pavimento das ruas.  Do Parque Anhanduí, eu já falei. Temos o  PAC Mobilidade saindo do papel. A Caixa já nos autorizou a licitar o recape dos primeiros corredores de transporte coletivo. São 61 quilômetros de vias centrais que ganharão asfalto novo. Vamos construir quatro novos terminais de transbordo, um no Parati, outro no Tiradentes, mais um no São Francisco e o último no Cafezais. Serão 500 pontos de ônibus e  ruas centrais sem buracos, como a Avenida Cônsul Assaf Trad, a Bandeirantes, a Rua Brilhante, mais a Avenida Gury Marques,  a Marechal Deodoro, a Rua Bahia e tantas outras. Vamos erguer o viaduto da Coca-Cola, uma obra de  245 metros de extensão.
Estou com muita segurança de que vamos aprovar e iniciar, em poucos meses, o recapeamento com recursos do CAF, que é o Banco de Desenvolvimento da América Latina. Serão mais 80 quilômetros de asfalto novo nas vias mais importantes da cidade.
Vamos concluir as três UPAs paradas – Moreninhas, Leblon e Santa Mônica – e dar mais um grande passo na área de saúde. Vou estar nos bairros, mais perto das pessoas. O financiamento do CAF é um projeto novo, mas, se temos tantos empreendimentos estacionados, a nossa meta é torná-los realidade, evitando a perda de recursos e protegendo o patrimônio público. É o caso do Complexo Bálsamo e do Macroanel Rodoviário.
 
A prefeitura da Capital fechou o ano passado com deficit de R$ 189 milhões. O que está sendo feito para tentar recuperar o equilíbrio financeiro?

Estamos reduzindo gastos e avaliando novas fontes de receita. É preciso fazer mais com menos, nessa hora. 

Há, ainda, um descompasso entre avanço da receita e despesas. A arrecadação cresceu 10%, enquanto os gastos aumentaram 27%. Grande parte disso deve-se ao aumento na folha de pagamento, pois a administração municipal já se aproxima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Como contornar essa situação?

Gastando menos e arrecadando mais. É matemática. 

O senhor tem recebido algumas críticas dos vereadores, inclusive de partidos da base aliada. A que atribui isso?

Os vereadores cumprem o seu papel de agentes públicos. O cobertor é curto e as críticas, sobretudo as construtivas,  fazem parte do processo democrático. Tenho tido apoio da Câmara Municipal para governar a cidade. Todos os projetos de interesse público foram aprovados e eu sou agradecido aos vereadores. 

Obras paradas por problemas no repasse de recursos, protestos, possibilidade da saída do PMDB da base aliada... O senhor considera viver uma crise na gestão?

Não, a crise foi no ano passado. Agora, nós estamos em outro momento. Vamos concluir as obras paradas e mostrar aos nossos aliados que valeu a pena caminharmos juntos. O PMDB é fundamental para a governabilidade de Campo Grande e eu creio que vamos continuar juntos.

O que o senhor pode falar sobre a ação penal em que é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na denúncia protocolada em fevereiro deste ano pelo MPE?

Meu advogado já disse que foi um equívoco do Ministério Público. É uma acusação infundada e sem provas. A verdade e a justiça prevalecerão.

Avaliando sua gestão hoje, o senhor pretende candidatar-se à reeleição? Como avalia sua aceitação diante dos eleitores campo-grandenses?

Eleição é ano que vem. Agora, nós temos que trabalhar e é isso que estamos fazendo. Falar em eleição, agora, gera divisão e atrapalha a administração da cidade. Temos tantas situações para resolver em benefício da cidade que não devemos antecipar o processo eleitoral do ano que vem. Vamos iniciar agora a execução das grandes obras e devemos estar unidos, contribuindo para a construção de um novo tempo para a nossa Capital. 

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