Os alagamentos no bairro Jardim Cidade Morena estão com os dias contados. O local passa por uma intervenção de drenagem de águas pluviais, que faz parte da 4ª Etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Lagoa, orçado em R$ 2.229.187.44, com contrapartida de R$ 376.137,00 do município (R$ 2,5 milhões). A previsão é que até o final deste mês os trabalhos que estão sendo realizados na Avenida Gury Marques sejam concluídos.
Para dona Noenil Dutra, 70 anos, será o fim dos improvisos que teve que fazer para evitar que a água entrasse na sua residência, na rua Floreal. Na entrada da residência ela fez uma barreira de concreto para impedir a invasão da água. O marido ainda cavou um buraco no terreno vizinho a residência, para impedir que o muro ficasse comprometido. “Aqui alaga tudo. Já perdi armários, guarda-roupas. Tudo apodrece porque fica molhado. Não estou acreditando muito que vai mudar alguma coisa. Tudo aqui sempre vira um rio. Basta começar a chover que fico apavorada”, desabafa.
Ela é uma das poucas moradoras que persistiram no local, após 25 anos. “O bairro não tem infraestrutura para escoar água e barro. Os vizinhos não aguentaram mais perder móveis e a maioria vendeu ou alugou os imóveis”, ressalta. O proprietário de uma empresa que aluga máquinas, Claudecir Marcon, 49 anos, conta que ninguém se interessa em investir na região. “Aqui virou uma área morta. Ninguém quer porque sabe que alaga. Cansei de ver os vizinhos perderem tudo, de ver motociclistas caindo no brejo e tirar o barro com as minhas máquinas. Tem buraco enorme aqui, que estão esperando alguém morrer para fazer alguma coisa”.
(*) A reportagem, de Gabriela Couto, está na edição de hoje do Jornal Correio do Estado.