O corte de gastos da Prefeitura de Campo Grande, que atingiu também os servidores da saúde, foi alvo de críticas durante audiência pública realizada pela Câmara Municipal, na tarde desta sexta-feira (20). Representantes do setor reclamaram do corte nos plantões e, em conjunto com os vereadores e representantes do Executivo, criaram uma Comissão Multidisciplinar para buscar a melhor solução para o caso.
A audiência reuniu servidores ligados às mais diversas áreas, como medicina, enfermagem, farmácia, assistência social, além de administrativos e usuários da rede pública de saúde. cortes.
Servidores ouvidos relataram uma série de problemas enfrentados no dia a dia. Casos de agressão aos profissionais, segundo eles, são frequentes. Alguns chegam a comprar papel e caneta com o dinheiro do próprio bolso para utilizarem nas unidades de saúde da Capital.
Presente na audiência, o secretário Municipal de Saúde, Jamal Salém, garantiu que não haverá cortes nos plantões sem aval da Comissão criada com representantes das categorias. “Não é fácil tomar essas medidas. Em momento nenhum a Sesau pensou em fazer cortes. Na saúde, qualquer corte que for fazer, vai afetar o atendimento. Nossa demanda aumentou muito e mais de 50% dos pacientes vêm do interior. Sabemos que, para a maioria, o plantão faz parte do salário. Se cortar, vai afetar muito vocês. Por isso, acho muito importante a criação dessa comissão, na qual cada categoria terá seu representante para a gente achar e fazer a readequação dos plantões”, afirmou.
Já o secretário de Administração, Wilson Prado, lembrou que a Prefeitura está no limite prudencial para gastos com pessoal, já que 51% da receita é empregada com o funcionalismo. Segundo ele, as pastas de saúde e educação consomem 77% da folha salarial. “Sempre que há uma adequação financeira, automaticamente, isso gera um efeito nessas duas categorias. A gente, na distribuição do nosso orçamento, precisa atender todos. Nós cortamos em todas as secretarias, todos os lugares”, justificou.
O vereador José Chadid (foto), integrante da Comissão Permanente de Saúde disse que "saúde é um direito prioritário e não se pode fazer cortes", destacando que está pré-agendada uma reunião para a próxima segunda-feira (23) para dar continuidade à discussão. Ele afirmou que esse compromisso assumido pelo secretário de que não haverá cortes é importante "e vamos buscar encontrar uma solução", frisou 