O Partido Socialista Brasileiro (PSB) terá de pagar mensalmente R$ 10 mil para o professor de Educação Física Benedito Juarez Câmara, dono da Academia Mahatma. O estabelecimento foi destruído no acidente aéreo que matou o presidenciável Eduardo Campos e mais seis pessoas, em 13 de agosto de 2014, no Boqueirão, em Santos.
A decisão é da juíza da 9ª Vara Cível de Santos, Natália Garcia Penteado Soares Monti, que deferiu o pedido de indenização por lucros cessantes feito por Juarez.
O pagamento da quantia mensal tem caráter de compensação pela impossibilidade de utilização do imóvel para o exercício das atividades profissionais de Juarez, ou, ainda para alugar-se a terceiros. Desde o acidente, o local está interditado.
“Pelo menos alguma coisa começou. Eu estou em uma situação complicada. Hoje, tenho uma sala emprestada, mas só mantive um quinto dos meus alunos. Na verdade, eu quero arrumar meu local, mas os gastos são altíssimos”, avalia ele, que foi avisado ontem da decisão. Antes do acidente, ele havia alugado a academia para terceiros e vivia desta renda.
De acordo com o advogado do professor, Alexandre Ferreira, da Sá e Ferreira Advogados Associados, a indenização é uma forma de compensar Juarez pelos prejuízos acumulados por ele não conseguir utilizar o espaço, até se chegar ao final do processo. “Sabemos da demora dos processos no País, principalmente, em um caso deste porte”.
O advogado explica ainda que a juíza definiu um prazo de 10 dias para o início do pagamento, depois de o PSB tomar ciência da decisão. O partido pode recorrer, mas Ferreira acredita que a fundamentação da ação impedirá algo neste sentido.
Procurado, o PSB afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não foi informado oficialmente da decisão e, por isso, não comentaria o caso.
Acidente
O acidente ocorreu na manhã de uma quarta-feira. O Cessna 560 XL vinha do Rio de Janeiro e refazia os procedimentos para o pouso na Base Aérea de Santos. Após arremeter na primeira tentativa, por causa do mau tempo, a aeronave caiu nos fundos de uma residência, atrás da academia de Juarez, localizada no perímetro entre as ruas Vahia de Abreu e Alexandre Herculano. Pelo menos 10 imóveis precisaram ser interditados.
Além de Campos, morreram na tragédia Pedro Valadares, assessor; Carlos Augusto Percol, assessor de imprensa; Marcelo Lira, cinegrafista; Alexandre Severo, fotógrafo oficial; e os pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha.