Com folha de pagamento atingindo 52,54% da receita (acima do limite prudencial de 51,03%), que já está em queda por conta na redução de repasses federais - FPM - e queda na arrecadação (ICMS, por ex), a prefeitura de Campo Grande já declarou ser impossível conceder qualquer reajuste a servidores, pois isso acarretaria em pena de bloqueio de repasses e enquadramento do gestor por improbidade administrativa. Mesmo assim, os médicos entraram em greve (apenas 30% atendem à população nos casos de urgência e emergência) e reivindicam reajuste de 355%, o que elevaria o salário-base da categoria de R$ 2.516,72 para cerca de R$ 11,7 mil.
A prefeitura informa que este aumenta aumentaria a folha em quase 70%, gerando um custo adicional de aproximadamente R$ 80 milhões por mês. “Ao longo de toda a negociação, nós deixamos claro aos representantes da categoria que além do entrave financeiro, há um impedimento legal que impede a Prefeitura de conceder qualquer reajuste neste momento”, declarou o secretário de administração, Wilson Prado.
GREVE
Médicos da rede municipal paralisaram nesta quarta-feira as atividades nas unidades de saúde. Os atendimentos que estavam agendados, principalmente os da atenção básico, foram suspensos.
REIVINDICAÇÕES
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sindimed-MS) alega que a administração cortou três gratificações dos profissionais, reduzindo a assim o salário em 50%. A categoria luta também por mais investimentos na saúde, condições adequadas de trabalho e mais segurança nos postos de saúde.
AÇÃO JUDICIAL
Sob alegação de que a greve prejudica a população, a prefeitura também ingressou com ação judicial para garantir a volta ao trabalho dos profissionais da saúde, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Ainda não houve decisão judicial sobre o caso, mas o sindicato afirmou que, caso a Justiça determine, os médicos voltam ao trabalho.