A greve dos médicos que atuam na saúde em Campo Grande já afeta os grandes hospitais de Mato Grosso do Sul. De acordo com o secretário de Saúde do estado, Nelson Tavares, a redução dos profissionais atuando nas unidades de urgência e emergência fez os atendimentos nos hospitais dobrarem. Um exemplo é o Pronto Atendimento Médico (PAM) do Hospital Regional Rosa Pedrossian, que tem capacidade para 77 leitos, mas na manhã de ontem (14), operava com 107 pacientes.
Questionado sobre o problema, o secretário de saúde pontuou que ainda hoje (15), vai tentar se reunir com a prefeitura, para buscar uma solução imediata, já que o papel dos hospitais é o atendimento complexo e não o básico, feito pela prefeitura.
"Enquanto não for solucionada a questão da greve, a superlotação nos hospitais vai continuar. Afinal, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser feitos nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e UBSFs (Unidades Básicas de Saúde da Família), e, não nos hospitais", disse Tavares.
Ainda segundo o secretário, o diretor do Hospital Universitário, Cláudio Wanderley Luz Saab, também quer uma solução, já que a unidade passa pelo mesmo problema. "Com o frio, a dengue vai diminuir, mas as doenças respiratórias vão aumentar. A prefeitura precisa achar uma solução", finalizou.
Os médicos da rede pública voltaram a cruzar os braços, depois de uma decisão unânime tomada durante assembleia, no fim da noite de ontem (14), no Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS). Será mantido o atendimento com 50% do efetivo médico nas UPAs e Centros Regionais de Saúde (CRSs) 24 horas, de forma a garantir o atendimento de urgência e emergência. A greve será de 100% em todos os atendimentos ambulatoriais.
MPE
Também nesta sexta-feira, o Ministério Público Estadual divulgou que um inquérito civil foi aberto para apurar as ações da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), durante a primeira paralisação dos médicos, que durou 6 dias.
A responsável pela investigação é a Filomena Aparecida Depólito, da Promotoria de Justiça de Saúde Pública.
SUPERLOTAÇÃO
Com capacidade para 77 leitos, o Pronto Atendimento Médico adulto do Hospital Regional Rosa Pedrossian atendeu nesta quinta-feira (14), 107 pacientes. A reportagem do Portal Correio do Estado teve acesso aos corredores da unidade hospitalar e constatou que, por conta da superlotação, pelo menos 7 macas estão espalhadas pelo setor.
À noite, a situação continuava a mesma. Muitos pacientes precisaram ficar sentados em cadeiras de rodas nos corredores até uma maca fosse desocupada e cedida para eles. Segundo testemunhas, a maioria dos pacientes que passaram horas esperando em cadeiras de rodas eram idosos.