Esquema de fraude de atestados médicos que era cometido havia meses em Campo Grande foi desmanchado em investigações da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Defraudações e Falsificações (Dedfaz). Na manhã desta terça-feira (19), policiais civis cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de um moto-entregador apontado como vendedor do documento falso, Jhonatan da Silva Souza, 24 anos, no Bairro Universiário. Dezenas de folhas de receituários e atestados, carimbadas e sem preenchimentos, foram apreendidas e ele detido para prestar esclarecimentos.
De acordo com informações da delegada que preside o inquérito policial, Ariene Nazareth Murad de Souza Cury, as investigações começaram há cerca dois meses a partir da denúncia de um médico clínico geral, que trabalha no posto de saúde do Bairro Aero Rancho “Doutor João Pereira da Rosa”. “Ele denunciou o caso depois de duas empresas lhe telefonar para confirmar a autenticidade de atestados médicos que haviam recebido de funcionários. Dois deles foram mostrados no mesmo período e tinham o código de doença incompatível com a enfermidade que alegaram ter, o que levantou suspeita de serem falsos”, comentou.
O médico teve acesso aos documentos e constatou que a assinatura e letra de preenchimento não conferiam com a sua.
Segundo a autoridade policial, um dos funcionários foi detido e confessou ter comprado o atestado de “Jhone”. No andamento das investigações, foi feito pedido à Justiça para busca e apreensão na casa dele, e, na manhã de hoje, investigadores agiram em cumprimento e apreenderam receituários e atestados em branco, apenas carimbados com a identificação de três médicos, também lotados no posto de saúde do Bairro Aero Racho, comprovando a prática criminosa.
CONFESSOU
Jhonatan foi detido e levado à delegacia especializada para ser interrogado. Ele falou que começou a atuar nas fraudes há algum tempo depois de comprar uma matriz de atestado, em branco, de um conhecido, o qual não indicou o nome. “Disse que tirou cópias, descobriu os médicos que atendiam no posto e confeccionou carimbos. Daí passou a vender atestados de R$ 20 a R$ 30”, citou a delegada.
Segundo Ariene, Jhonatan ainda não revelou a quanto tempo agia no segmento criminoso, nem a quantidade de atestados falsos que já vendeu. Ele está na delegacia e depois de prestar depoimento será liberado, já que não houve situação de flagrante.
Foi indiciado pelo crime de falsidade ideológica de documento público. Três funcionários identificados como compradores responderão pelo crime de uso de documento falso.