Com excesso de pacientes críticos, em decorrência da greve dos médicos, a Santa Casa de Campo Grande possui ocupação próxima de 100% das Unidades de Tratamento Intensiva (UTI). O hospital ainda corre o risco de ter convênio de R$ 19,7 milhões não renovado pela prefeitura da Capital.
Em entrevista coletiva, nesta quarta-feira (27), representantes da Santa Casa admitiram que as 97 vagas de UTI tem atingido limite de ocupação desde a semana passada, sendo necessário cancelar cirurgias eletivas para usar leitos do centro cirúrgico como complemento.
O diretor técnico do hospital, Luiz Alberto Kanamura, explicou que um paciente está sendo ventilado por um respirador manual, situação semelhante a ocorrida em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Capital. Decisões de transferência, conforme o médico, somente alterariam o ambiente, mas não as condições de atendimento. “Tudo passa por uma definição técnica, econômica ou política do regulador”.
Estudo para dez novos leitos de UTI chegou a ser apresentado, em janeiro, para a Prefeitura de Campo Grande, porém o valor da implantação e custeio mensal barraram o acordo. O próprio convênio do município para atendimento de baixa a alta complexidade pelo hospital está em risco de vencer em 6 de junho deste ano.
“Para o contrato de remendo não há horizonte de nenhuma solução. Temos por condição que ele seja de longo prazo e com cláusula de reajuste, mas vivemos incerteza e descaso do poder público”, pontuou o presidente da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), Wilson Teslenco.
Reunião hoje no Conselho Municipal de Saúde chegou a considerar decreto de estado de emergência na saúde, ao considerar que a greve dos médicos na rede municipal chega ao 13º dia e mantém somente 50% dos profissionais atendendo a urgências e emergências.