Cidades

Moradores ilhados

Enxurrada transforma rua em rio, 'engole' carros e moradores ficam ilhados; assista

Água de enxurrada desce do Conjunto Habitacional Leon Denizart Conte localizado no Noroeste

Redação

02/06/2015 - 10h12

Um problema que se arrasta por anos. É só chover que moradores da Estrada NE02, na Chácara dos Poderes, ficam ilhados com a enxurrada que desce do Conjunto Habitacional Leon Denizart Conte. A quantidade de água que desce dos residenciais forma um "rio" e há seis anos "engole" carros e até caminhões em razão do tamanho das crateras criadas pela força da chuva.

Flávio Teixeira, que é servidor do Tribunal de Contas do Estado, é um dos moradores da rua e sofre com o problema há anos. Na manhã desta terça-feira (2), ele flagrou um caminhão cair e um dos buracos formados pela água.

"Dessa vez foi um caminhão, mas semana passada foi uma caminhonete e domingo um Ford Ka. Desde que a prefeitura construiu o conjunto no Noroeste e abriram as ruas, a água da chuva desce especificamente nessa rua. O pior é que deságua no Córrego Pedregulho, que já possui um inquérito jurídico ambiental do Ministério Público que investiga o assoreamento", disse Flávio.

Ainda segundo Flávio, funcionários da prefeitura vão até a Chácara dos Poderes, jogam cascalho nas estradas e vão embora. Para ele, um trabalho em vão, já que é só chover para o problema retornar. "Estamos ilhados. Meu neto nem foi à escola porque está impossível transitar por aqui, isso porque eu tenho um veículo 4x4. O problema precisa ser resolvido lá no conjunto, não adianta vir jogar cascalho se amanhã vai chover de novo", diz Flávio.

A situação é investigada pelo MPE desde 2009 com inquérito aberto para apurar a regularidade jurídico-ambiental das áreas de preservação permanente do córrego Pedregulho, situado na Chácara dos Poderes.

Problema já foi manchete no Correio do Estado em 2007:


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confira abaixo as imagens do caminhão sendo "engolido" pelo buraco:

CHUVAS EM MAIO

De acordo com levantamento do Centro de Monitoramento do Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos (Cemtec), no mês de maio deste ano choveu 40,3% a mais do que a média histórica.

O volume de chuvas acumulado nos 31 dias de maio somou 135,6 milímetros, número bem acima dos 96,6 milímetros da média histórica do mês. Só neste domingo (31), choveu 54,4 milímetros.

A explicação para tanta chuva, segundo o geógrafo Carlos Eduardo Borges Daniel, está no fenômeno El Niño, que vem das águas do Oceano Pacífico e mexe com todo o clima da América do Sul, principalmente o Mato Grosso do Sul.

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