e depender do estado atual de suas contas, a UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos) só poderá manter as atividades no Líbano até outubro deste ano.
A crise afetará os cerca de 500 mil refugiados palestinos que são atendidos por essa organização no país, em 12 campos.
"Só será possível manter as portas abertas se reduzirmos drasticamente os nossos serviços", afirma à reportagem o diretor regional Matthias Schmale em seu escritório na capital libanesa.
A redução do auxílio prestado por essa agência será especialmente severa no Líbano, já que ali os refugiados palestinos não recebem amparo do governo, ao contrário do que ocorre em outros países da região nos quais a UNRWA trabalha.
Segundo Schmale, metade de toda a verba da organização para hospitalizações é gasta no Líbano. A outra metade é dividida entre outras quatro nações. "Os palestinos dependem de nós, aqui."
O deficit da UNRWA não é causado pela diminuição nas contribuições a suas contas. Segundo o diretor regional, tem havido aumento dos envios de seus principais doadores. Mas crescem também os gastos de operação, especialmente os de aluguel para as instalações no Líbano.
Além disso, há aumento nos gastos relacionados à vinda dos refugiados palestinos que até então moravam na Síria, onde uma guerra civil tem deslocado essa população desde março de 2011.
Uma das esperanças na UNRWA é atrair países emergentes, o Brasil sendo um dos principais alvos, para que contribuam mais. O Brasil enviou em 2014 uma quantia de arroz equivalente a R$ 28 milhões, repassados por meio do programa de alimentos das Nações Unidas.