A paralisação dos enfermeiros que estavam em greve há 18 dias por reajuste salarial acabou na noite de ontem (7) e na manhã desta quarta-feira (8) o cenário nas unidades de saúde já era outro. O tempo de espera, principalmente pela triagem, caiu e todos os enfermeiros voltaram ao trabalho.
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, a sala de espera, como sempre, estava cheia, mas o tempo para o atendimento era bem inferior as três horas dos últimos dias.
A auxiliar de limpeza Sandra Mara de Oliveira, de 34 anos, foi à unidade em razão de crise causada por pedras no rim. O tempo de atendimento foi de 2 horas. “Demorou um pouco, mas hoje a triagem está muito mais rápida”, afirma.
O fim da greve motivou os usuários que precisam de atendimento a procurar as unidades. O vigilante Roque Naue, de 48 anos, é um exemplo. Na semana passada, ele levou o filho de 4 anos até a UPA por conta de catapora e a espera foi de 3 horas.
No atendimento feito na manhã de hoje em razão de conjutivite, a espera total foi de 45 minutos. “Eu até trouxe a coleção de carrinhos do meu filho esperando que iria demorar como da outra vez, mas agora foi rápido”, completou.
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Estrela do Sul, tudo voltou ao normal. As salas de vacina reabriram e exames como coleta de sangue voltaram a ser feitos normalmente.
Durante a greve, Angela Inacio Soarez, de 30 anos, fazia os curativos do filho de 4 anos, que teve um corte, em casa mesmo. Mas com a volta dos atendimentos, a ida ao posto se transformou em tarefa possível. “Agora realmente está mais rápido o atendimento”.
ACORDO
Audiência de conciliação mediada pela Justiça foi realizada na noite de ontem entre a catgoria e a prefeitura. De acordo com o Secretário de Saúde, Jamal Salem, os enfermeiros “entenderam que no momento não é possível conceder aumento salarial”. Ainda segundo ele, as negociações serão abertas no dia 15 de outubro.
O secretário confirmou que haverá desconto na folha de pagamento dos grevistas, tanto dos que não foram aos postos de saúde quanto dos que foram, mas se recusaram a realizar os procedimentos de rotina. “Os que trabalharam vão receber normalmente”, detalhou o secretário.
Durante a greve, mais de 14.500 procedimentos deixaram de ser feitos, conforme levantamento da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau).
As reivindicações da categoria eram reajuste de 8,5%, retorno de plantões cortados e alteração escalonada no piso salarial.