Cidades

Lava Jato

Marcelo Odebrecht tentou "atrapalhar" investigação antes da prisão, diz PF

Além de Marcelo Odebrecht, outras sete pessoas ligadas à empresa também foram indiciadas pela PF

Redação

21/07/2015 - 08h12
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Trechos do relatório apresentado pela Polícia Federal (PF) que justificou o indiciamento de Marcelo Odebrecht, presidente da holding Odebrecht S.A, na segunda-feira (20), indicam que o executivo tentou 'atrapalhar' as investigações da Operação Lava Jato antes de ser preso.

A conclusão da PF ocorreu após a verificação de várias anotações  encontradas em telefones celulares utilizados por Marcelo. Os trechos foram escritos com várias siglas.

O executivo está preso na carceragem da PF, em Curitiba, desde o dia 19 de junho. A defesa dele, representada pela advogada Dora Cavalcanti, não quis comentar o assunto.

O documento diz que as anotações citam autoridades públicas, doações de campanha, pagamentos diretos e influências junto à instituições, inclusive o Judiciário. O delegado Eduardo Mauat da Silva, considera que o caso mais grave diz respeito à utilização de dissidentes da PF para, de alguma forma, barrar o andamento das investigações.

"Marcelo ainda elenca outros passos que devem ser tomados identificando os como 'ações B', tido aqui como uma espécie  de  plano  alternativo  ao  principal. Dentre  tais  ações  estão  'parar  apuração  interna',  'expor  grandes', 'desbloqueio OOG' (Odebrecht Óleo e Gás), 'blindar Tau' e 'trabalhar para para/anular (dissidentes PF...)'", diz trecho do relatório.

Além de Marcelo Odebrecht, outras sete pessoas ligadas à empresa também foram indiciadas pela PF na segunda-feira. Os crimes citados no relatório são fraude em licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, crime contra a ordem econômica e organização criminosa.

Em outro trecho do relatório a PF diz que, nas anotações, fica nítida ainda a preocupação de Marcelo em relação as subsidiárias da Petrobras.

"Chama a atenção também a preocupação de Marcelo em relação as Cias da Petrobras estarem sendo conduzidas por 'xiitas' e, nas palavras dele, com seguinte linha de pensamento: temos que encontrar 'culpado' caso contrário vamos ser acusados de 'incompetentes e/ou coniventes'"!

"Entretanto, diante da possibilidade de que as informações produzidas pelas Cias não fossem fidedignas seria de esperar um esclarecimento idôneo por parte da Odebrecht, ao contrário da negativa rasa ou a estratégia de 'cortina de fumaça' que tem sido aplicada a cada novo indício de ilicitude que surge em relação ao grupo Odebrecht", afirma a PF em outro trecho do relatório.

Agora, o Ministério Público Federal (MPF) vai analisar o indiciamento da PF para oferecer ou não uma denúncia envolvendo as empreiteiras à Justiça Federal. Se houver denúncia e o juiz federal Sérgio Moro aceitá-la, os denunciados passarão a ser réus.

Foram indiciados
- Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da holding Odebrecht S.A.
- Rogério Santos de Araújo, diretor da Odebrecht
- Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, diretor da Odebrecht
- Márcio Farias da Silva, diretor da Odebrecht
- César Ramos Rocha, diretor da Odebrecht
- Celso Araripe de Oliveira, funcionário da Petrobras
- Eduardo de Oliveira Freitas Filho, sócio-gerente da empresa Freitas Filho Construções Limitada
- João Antônio Bernardi Filho, ex-funcionário da Odebrecht

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