O primeiro caso de Chikungunya em Corumbá, município a 444 quilômetros da Capital, confirmado na quarta-feira (22), é tratado como importado da Bolívia. O fato se deu, depois que a Secretaria Municipal de Saúde realizou um manejo clínico na residência do morador infectado e descobriu que é feirante boliviano, ou seja, trafega constantemente entre Corumbá e a Bolívia por causa do trabalho.
De acordo com o Diário Corumbaense, dias antes de apresentar os primeiros sintomas da doença, o feirante teria ido a Santa Cruz de la Sierra, cidade boliviana onde, até junho deste ano, já foram registrados oficialmente 1.044 casos de febre Chikungunya e 6 mil notificações da doença.
Os agentes da Secretaria Municipal de Saúde também descobriram que a família do feirante viaja com frequência para o país vizinho e que sua esposa está com os mesmos sintomas que foram apresentados por ele.
Segundo a assessora executiva da Secretaria de Saúde de Corumbá, Célia Flores, foram colhidas amostras de sangue de três pessoas da família, que moram com o feirante em Corumbá, para análise. O sangue coletado vai para laboratório estadual e de lá segue para o único laboratório no Brasil onde se faz a detecção de Chikungunya, localizado no Pará.
Por causa de toda essa tramitação, o resultado da análise sai depois de um mês. No entanto, o município já passa a tratar esses pacientes com as medidas que trataria se o resultado positivo fosse positivo para a enfermidade.
Célia informou também que entre Corumbá e a Bolívia há um Comitê Binacional de Vigilância, que surgiu durante o surto de raiva animal em Corumbá, e que será novamente acionado com o objetivo de bloquear a fronteira contra a proliferação da Chikungunya. O bloqueio significa intensificação da vigilância e medidas de prevenção, como averiguação de residências, controle químico de locais onde larvas de mosquitos já foram detectadas e ações de conscientização.
Além do manejo clínico na residência do feirante infectado, a Secretaria Municipal de Saúde também realizou bloqueio da área e somente nesta quinta-feira já foram averiguados 40 imóveis, sendo 10 deles borrifados, através do controle químico, e 6 terrenos também borrifados, que já apresentarem larvas de mosquitos.
O trabalho de bloqueio continuará durante uma semana num raio de 200 metros de abrangência da área onde está localizada a casa do infectado. Depois que for constatada a diminuição do número de focos de larvas, o trabalho será realizado em outros pontos da cidade, como ato de prevenção.