Cidades

Certificado

Churrascaria incendiada é multada e interditada por não ter vistoria dos bombeiros

A multa aplicada ao estabelecimento é de R$ 1.078, o equivalente a 50 UFERMS

Redação

11/08/2015 - 11h12

A churrascaria O Laçador foi fiscalizada nesta segunda-feira (10) por equipe do Corpo de Bombeiros, notificada, interditada e multada em R$ 1.078, o equivalente a 50 Unidades Fiscais Estadual de Referência de Mato Grosso do Sul (UFERMS) por não ter certificado de vistoria emitido pelos socorristas.

De acordo com o chefe da Assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros, tenente coronel Hudson Faria de Oliveira, o certificado é necessário porque significa que bombeiros foram até o comércio, verificaram a situação dos extintores, a iluminação de emergência e rota de fuga.

Já o engenheiro civil especializado na elaboração de projetos de prevenção a incêndio, Jarham Lelis Ferreira, apontou a necessidade de empresas com armazenamento de gás, acima de 90 quilos, terem projeto que indique ao Corpo de Bombeiros pontos estratégicos, como local da tubulação de gás e pontos onde estão instaladas tomadas para auxiliar a equipe no momento de controlar as chamas.

A vistoria dos bombeiros é anual e, dependendo do tamanho do empreendimento, é exigido hidrante de parede (acima de 900 metros quadrados), splinter (chuveiro automático) e detector de fumaça.

“Não basta colocar os equipamentos de segurança, a equipe precisa saber usar extintor porque os bombeiros demoram de 5 a 10 minutos para chegar, mas os funcionários brigadistas podem combater o foco de incêndio”, explicou o chefe da assessoria.

Ainda conforme o tenente coronel Hudson, para que o local obtenha o certificado de vistoria é preciso atender as exigências das normas técnicas previstas no Código de Segurança Contra Incêndio, Pânico e Outros Riscos (Lei 4.335/2013). “De acordo com a lei, a churrascaria O Laçador é comércio de risco médio, sendo assim, para cada 10 funcionários, seis têm que ter curso de brigadista e, acima desses 10, para cada 15 trabalhadores, um tem que ter o treinamento”, ressaltou o militar.

PROJETO
Há três anos elaborando projetos de prevenção a incêndio, o engenheiro e proprietário da empresa Projecalc, Jarham, explicou que conforme a legislação, o comércio que tem armazenamento de gás superior a 90 quilos precisa ter projeto de combate a incêndio. “O projeto vai mostrar aos bombeiros onde passa a tubulação de gás, onde estão os pontos de tomadas, que mantêm ligados fornos e fogões, além da central de gás”, destacou.

Contudo, o engenheiro explicou que o caso da churrascaria O Laçador é diferente porque as coifas instaladas logo acima da churrasqueira armazenam gordura e, por conta disso, precisam de manutenção periódica. “Por conta desse tempo seco, e com o acúmulo de gordura, quando a fumaça passa pela coifa, começa a esquentar e, sem a manutenção devida, a gordura entra em combustão espontânea”, explicou o engenheiro.

Com relação a equipe brigadista, Jarham ressaltou que há necessidade porque a churrascaria é um local de concentração de público. “O brigada é treinado para combater o princípio de incêndio e foi justamente o que fizeram no restaurante. Eles combateram e acharam que tinha resolvido o problema. O brigadista detecta o foco de incêndio, aciona o Corpo de Bombeiro, tenta combater e, se não consegue, evacua o local”, detalhou.

Para o engenheiro Jarham, o caso da churrascaria foi bastante complexo porque o fogo atingiu uma área, onde não era possível ver e a estrutura de cobertura do prédio era toda de madeira, que foi o combustível para propagar as chamas. “Hoje em dia, o ideal é a estrutura de cobertura ser metálica porque se acontecer de pegar fogo na coifa, não terá mais o que queimar na cobertura e ele apaga”, orientou.

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