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Estudante da UEMS é 1° engenheiro ambiental indígena formado em MS

Estudante da UEMS é 1° engenheiro ambiental indígena formado em MS

Redação

22/08/2015 - 09h50

Uma defesa de monografia na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) teve um significado especial para o Estado, nesta sexta-feira (21). Com os cumprimentos que recebeu da banca pela aprovação na apresentação do trabalho, agora só falta a colação de grau para que o acadêmico Zenaldo Moreira Martins seja oficialmente o primeiro indígena graduado em Engenharia Ambiental em Mato Grosso do Sul. A UEMS é única universidade brasileira com reserva de vagas para indígenas.

“Ser o primeiro guarani kaiwoá formado em Engenharia Ambiental em Mato Grosso do Sul é uma grande responsabilidade. Devo isso a minha comunidade e ao Rede Saberes da UEMS, que me deu a base quando cheguei na Universidade e foi essencial na minha formação”, relata o estudante referindo-se ao projeto que estimula a permanência de estudantes indígenas na Universidade.

Assim como grande parte dos indígenas que chegam ao nível superior, a trajetória de Zenaldo foi repleta de desafios. Segundo ele, a dificuldade financeira para se manter longe de casa foi um dos principais obstáculos, além da adaptação cultural que já é, por si só, um grande desafio. Seu orientador na graduação, o professor Agnaldo Lenine, lembra da evolução do estudante do momento em que ele ingressou no curso até a apresentação do trabalho final. “Ele teve muita dificuldade de adaptação, mas sempre demonstrou muita força de vontade. Nós vemos pessoas que têm muitas oportunidades, mas não aproveitam, o Zenaldo teve poucas, mas com muito empenho hoje vive essa grande conquista”, diz o orientador.

Trabalho de conclusão

O objetivo da pesquisa de Zenaldo Martins, apresentada nesta sexta-feira (21), foi analisar a influência de resíduos de borracha de câmara de ar como agregado miúdo na confecção de concreto endurecido. A ideia é que o material possa substituir parcialmente a areia. De acordo com os testes realizados, a técnica poderia ser aplicada na confecção de materiais que não exigem elevados índices de resistência à compressão, como lajotas para construção de ciclovias, calçadas ecológicas, blocos de vedação, meio fios entre outros. Além disso, a utilização desse material daria uma destinação final correta para a borracha de câmara, diminuindo a degradação do meio ambiente.

Combate à evasão

Além do Rede de Saberes, UEMS e Governo do Estado contam com ações de apoio à permanência para evitar a evasão desses estudantes da graduação. Os indígenas matriculados na UEMS podem concorrer a uma bolsa do Programa Vale Universidade Indígena, vinculado a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho. A instituição conta ainda com programas próprios de assistência estudantil, como auxílio alimentação, auxílio moradia e bolsa permanência, disponíveis para acadêmicos de baixa renda, além das bolsas de iniciação científica, iniciação à docência, monitoria, entre outras.

Prestes a concluir sua formação cuja etapa final será a colação de grau, Zenaldo não tem dúvidas sobre que rumo dará a sua carreira: “Quero ajudar minha comunidade, para isso pretendo trabalhar na parte de saneamento básico da aldeia que ainda é muito precária”, diz ele.

A UEMS é única universidade brasileira com reserva de vagas para indígenas em todos os cursos de graduação. Para o professor Aguinaldo Lenine, essa é uma vitória para Instituição. “Eu, como universidade, não chego fisicamente até a comunidade indígena, mas o Zenaldo poderá levar os conhecimentos aqui adquiridos e mudar a realidade da sua aldeia”, explica ele.

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