Inaugurados em outubro de 2014, residenciais de Campo Grande são alvo, nesta quarta-feira (23), de ação de reintegração de posse que conta com força-tarefa composta pela Polícia Federal, Caixa Econômica Federal e Guarda Municipal. Ao todo, das 313 casas existentes nos dois condomínios, pelo menos 30 foram invadidas.
Os condomínios Ari Abussafi e Gregório Corrêa, localizados no Jardim Talismã, região norte da cidade, são alvo de invasões desde o fim do ano passado, pouco tempo depois da inauguração. As casas, na época, foram destinadas a moradores da região da Portelinha e de outras três favelas instaladas na Capital.
Na manhã de hoje, equipes da Caixa montaram escritório no local, para expedir as notificações de saída dos invasores e também colher dados para incluí-los no cadastro dos próximos empreendimentos imobiliários de interesse social. Durante a ação, policias federais batem de porta em porta para avisar os invasores sobre a reintegração.
De acordo com os fiscais da agência, os imóveis invadidos no conjunto habitacional já possuem beneficiários selecionados pela equipe técnica social da Emha. No entanto, a chave ainda não foi entregue por conta de pendências com documentação junto à Caixa Econômica Federal, agente financeiro do empreendimento, que impedem o andamento do processo que passa pelo sorteio da localização de quadra/lote, assinatura de contratos e posterior recebimento das chaves.
Uma vez notificados, os invasores precisam desocupar o imóvel em 24h sob a pena de terem participação excluída dos próximos programas habitacionais de interesse social.
Em um dos casos, a invasora se negou a deixar a casa. Quando policiais voltaram no imóvel, ela havia saído e em razão da notificação já ter sido feita, funcionários de empresa de mudança retiraram os móveis da casa da moradora. Tudo será levado para um galpão da Receita Federal.
Vizinha da invasora, Rozilene Santos de Oliveira, de 47 anos, e que vive legalmente no condomínio afirma que a mulher invadiu a casa em dezembro passado e vivia com três filhos. Apesar da presença da polícia, nenhuma confusão foi registrada com os moradores e muitos estão deixando as casas de forma pacífica.
Patrícia Rodrigues Pereira, de 45 anos, conta que há anos aguardava o sorteio da casa popular, pois vive na área invadida, no Bairro Morada Verde. Como ficou para a segunda etapa de entrega, sua casa foi uma das invadidas. Hoje, Patrícia aguarda a liberação da casa onde ela irá morar com a família depois de anos de espera. “Precisar todo mundo precisa, mas eu estou em área ocupada e preciso da minha casa”.
Policiais avisam moradores para que deixem casas invadidas (Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)