Para garantir tratamento de saúde adequado ao neto Kauã Gabriel Goes, de 8 anos, diagnosticado com paralisia cerebral e epilepsia, Eva Aparecida Goes Pinheiro, 47, teve de colocar a mão na massa. Misturando farinha de trigo, ovos, açúcar e outros ingredientes ela foi dando forma a biscoitos que hoje garantem o sustento da família. "Minha vida é para cuidar do Kauã. Correr atrás das necessidades dele e, nesse intervalo, tenho que gerar alguma renda porque somente o benefício dele não é suficiente", explica.
A ideia da fabricação dos biscoitos surgiu em 2012, quando Kauã precisou usar uma órtese (aparelho que imobiliza os membros para auxiliar nos movimentos). Sem dinheiro para comprar o instrumento, Eva, mais conhecida como "Branca" pediu para uma amiga emprestar o dinheiro, total de R$ 1 mil na época. "Então comecei a fazer. Vendia 20 pacotinhos e achava o máximo porque já dava para cobrir a prestação", lembra.
Mas em pouco tempo, Branca foi "obrigada" a acelerar o ritmo de produção. Isso porque os problemas também aumentaram. "Minha filha se envolveu com drogas e ficou três anos morando nas ruas de Goiás. A gente não tinha contato com ela, então eu comecei a trabalhar para poder juntar dinheiro para ir atrás dela".
Depois do reencontro, Branca decidiu internar a filha na Fazenda da Esperança, fazendo com que os gastos da família aumentassem. "Tinha que manter o sustento dela lá, então tinha que fazer mais biscoitos".
Com esses acréscimos nas despesas, o orçamento doméstico acabou desequilibrado, a ponto de Branca não ter dinheiro para pagar o aluguel da casa. Nesse período, ela contou com o apoio de um amigo que cedeu uma quitinete para que morasse sem precisar pagar por isso. "Ele acreditava muito em mim e me disse: 'Branca, investe nesses biscoitos porque todo mundo gosta". E foi o que ela fez.
Os "pacotinhos" foram substituídos por embalagens plásticas mais resistentes, as opções de sabores aumentaram e os "pontos de vendas" também foram se expandindo. Hoje, Branca vai comercializando os biscoitos desde o bairro Jardim Tijuca, onde mora, até a escola onde o neto estuda, no Santa Dorotheia.
"As coisas foram fluindo de uma maneira que, hoje eu faço 300 potes de biscoito por semana. O biscoito mudou minha vida mesmo, literalmente", declara Branca.
SERVIÇO- Os biscoitos feitos de nata com leite condensado ou com goiabada ou doce de leite custam R$ 2. Encomendas podem ser feitas pelo telefone (67) 9133-3600.
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