A Polícia Federal de Ponta Porã investiga o desaparecimento de uma criança e uma adolescente de 17 anos Guarani Kaiowá, que não dão notícia desde a última quarta-feira (7). Os dois desapareceram após o grupo que eles estavam juntos ter sido atacado na madrugada do dia 7. Cerca de 20 índios estavam habitando uma região de mata de cerca de um hectare quando foram surpreendidos por vários homens.
O notícia do ataque só foi divulgada nesta sexta-feira (16).
O Ministério Público Federal (MPF) de Dourados também foi acionado para apurar o caso e foi coletado depoimentos de várias vítimas ao longo da última semana. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a maioria das pessoas que estavam habitando a área era de crianças e anciãos. O nome da fazenda a qual pertence a mata não foi divulgado. A propriedade fica a cerca de 130 quilômetros de Iguatemi.
Boa parte dos índios que tentaram fugir do ataque percorrem um caminho até a aldeia Lima Verde, que fica no município de Amambai. Há outra aldeia de mesmo nome na região de Aquidauana. O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, disse que as o ataque teria sido violento. "Houve disparos e os índios relataram que muita crueldade, apanharam", afirmou.
"Não se trata de conflito, nunca se tratou, se trata de massacre, não podemos nem caminhar mais, somos menos que animais, eles fazem o que querem contra velhos e crianças e ninguém faz absolutamente nada", comentou a liderança indígena Oriel Benites, da aldeia Limão Verde, em Amambai.
Na delegacia de Ponta Porã, ninguém deu detalhes do caso e a assessoria de imprensa da PF informou que somente a regional poderia divulgar informações. A assessoria do MPF confirmou que teve conhecimento do ataque e que está apurando o fato.
Há a possibilidade de que a adolescente e a criança tenha se dirigido para alguma aldeia indígena na região.