Cidades

De Lisboa a Dublin

Brasileiro morto em voo não contou para ninguém sobre viagem, diz ex

Brasileiro morto em voo não contou para ninguém sobre viagem, diz ex

Redação

20/10/2015 - 13h51
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O brasileiro John Kennedy dos Santos Gurjão, 24, que morreu no último domingo (18) em um voo que ia de Lisboa a Dublin, escondia de amigos e familiares suas atividades e seu paradeiro.
A morte ocorreu devido ao rompimento de uma das 80 cápsulas com cocaína que ele havia ingerido. A informação foi confirmada pela polícia irlandesa, segundo o jornal "The Irish Times".

O agente administrativo da Prefeitura de Calçoene, no Amapá, Ney Santos, 39, que diz ter mantido um relacionamento amoroso com o brasileiro durante oito anos, afirma que Gurjão morou em Calçoene, sua cidade natal, até os 20 anos de idade. "A gente morou junto e, logo depois da separação, ele foi embora para Macapá", lembra.

Segundo Santos, os dois mantiveram contato constante até a semana passada. "Ele dizia que ia fazer as viagens dele, mas nunca falou para onde ia nem com quem estava. Na semana passada, ele me ligou dizendo que estava em Macapá e que, infelizmente, não conseguiria ir a Calçoene para me visitar e ver a família, porque ia viajar", conta.

A prefeita de Calçoene, Maria Lucimar da Silva Lima, lembra que Gurjão já havia sido contratado temporariamente pela administração municipal para trabalhar em projetos sociais na cidade. Santos conta que o companheiro também morou por cerca de um ano no município de Vigia (PA) onde trabalhou com pesca.

Gurjão transportava no estômago cerca de 0,8 kg de cocaína em um voo da companhia Aer Lingus. Segundo testemunhas, o brasileiro se sentiu mal, ficou agressivo e chegou a morder um passageiro antes de ser algemado e controlado pela tripulação, de acordo com o "Irish Times".

Ele desmaiou e chegou a ser atendido por um médico e duas enfermeiras que viajavam no mesmo avião, segundo o jornal, mas sua morte foi declarada na própria aeronave, após o pouso não programado na cidade irlandesa de Cork, depois que o comandante declarou emergência médica a bordo.

A carga levada por Gurjão poderia ser vendida por cerca de 56 mil euros (R$ 246 mil), diz o jornal irlandês.

O brasileiro parecia viajar sozinho, mas outros passageiros indicaram que ele havia tido contato com outra passageira, uma angolana que viajava com passaporte português de 44 anos, que foi detida em Cork.

A polícia irlandesa afirma, segundo o jornal, ter entrado em contato com as autoridades do Brasil e de Portugal para saber por onde Gurjão passou antes de embarcar no voo onde morreu. A polícia da Irlanda também acionou a embaixada brasileira para que comunicasse a morte à família.

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