Teorias de conspiração voltaram a Câmara Municipal, depois que a vereadora Luiza Ribeiro (PPS) teve vazado depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE). Mesmo sem provas, ela acusa os colegas de integrar esquema de corrupção em Campo Grande. As declarações podem resultar em investigação da Comissão de Ética, além de processos judiciais por calúnia e difamação.
O depoimento, vazado na semana passada, diz respeito a investigação de empresas envolvidas na Operação Lama Asfáltica, que apura desvio de R$ 11 milhões em obras públicas no Estado. Aos promotores, Luiza afirmou existir vereadores “manipulados” e de “periferia”, quando das tratativas para cassar Alcides Bernal (PP).
Mesmo que no campo das suposições, a vereadora conseguir revoltar colegas citados e considerados por ela elos fracos e articuladores do processo como Edson Shimabukuro (PTB), Waldecy Chocolate (PTB), Jamal Salem (PR) e Airton Saraiva (DEM).
Ressentido, Chocolate desclassificou as declarações que o consideraram “manipulado e de periferia”. Ele é um dos que estuda a abertura de processo por calúnia e difamação. Já Saraiva cobrou investigação da Comissão de Ética por quebra de decoro, proposta que se encontra em análise.
A irresponsabilidade da vereadora, conforme Jamal, pode ser classificada ainda como “conspiração e manobra para o prefeito afastar 17 vereadores, chamar suplentes e trazer de volta Paulo Pedra – da secretária de governo – para ser eleito presidente da Câmara”. O republicano foi enfático ao sugerir a apreensão de celulares de Bernal e de seis vereadores contrários a sua cassação, pois “também ouvi muita conversa de oferecimento de bens”.
Luiza, por sua vez, evitou o plenário nesta terça-feira para acompanhar representantes da ONU Mulher na Capital. Antes, porém, disse que o vazamento foi feito por advogados de defesa dos investigados com o objetivo de “constranger e evitar que outras pessoas testemunhem e tenham isso publicado em jornal”.
Em relação ao pedido de investigação da comissão de ética, a vereadora optou por não tratar de hipóteses e minimizou os efeitos de seu testemunho: “não é a intenção de criar desgaste”.
Para o presidente interino da Casa de Leis, Flávio César (PTdoB), o desgaste já está criado e providências são estudadas pela procuradoria jurídica.