Alvo de processo no TCU (Tribunal de Contas da União), o lobista João Augusto Henriques, preso na Operação Lava Jato, procurou o escritório de advocacia do filho do atual presidente do órgão, Aroldo Cedraz, depois que soube "dos vínculos" que o advogado tinha no Tribunal de Contas.
Henriques, detido na mais recente fase da operação, em setembro, disse à PF que tinha sido considerado responsável por irregularidades na BR Distribuidora nos anos 90, quando foi diretor da subsidiária da Petrobras, e podia ser obrigado a ressarcir os cofres públicos.
Segundo o relato dele, Jorge Luz, um outro lobista com atuação na Petrobras, teve a ideia de procurar Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, para a ajudar a "encerrar o processo no Tribunal de Contas".
Tiago Cedraz virou alvo de investigação na Lava Jato depois de ter sido citado em depoimento de delação pelo empreiteiro Ricardo Pessoa. O delator contou que pagava R$ 50 mil por mês ao advogado para receber informações do TCU.
Henriques disse no depoimento que não houve "menção a realização de pagamentos a fim de facilitar a resolução do processo junto ao tribunal" nem de propina para agentes públicos. Pelo relato do lobista, Tiago Cedraz prometeu ajudar, mas "nada fez". No depoimento, disse que um outro advogado cuidava do caso de maneira "completamente dissociada" de Tiago Cedraz.
Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou no dia 25 que advogados do escritório de Tiago Cedraz atuaram em 182 ações no Tribunal de Contas.
REFINARIA
Durante a investigação, a PF obteve um documento que mostra o escritório de Tiago firmando um "instrumento de parceria" com as empresas JHL Participações, de Henriques, e Gea Projetos, de Jorge Luz.
O delegado responsável questionou o lobista se a parceria seria uma maneira de "legitimar" pagamentos referentes à negociação pela Petrobras na Argentina da refinaria San Lorenzo, que também é alvo de suspeitas do Ministério Público Federal.
Henriques negou, mas disse que não poderia responder por Jorge Luz e Tiago Cedraz. Segundo o lobista, o compromisso entre as empresas visava a abertura de uma filial do escritório de advocacia de Tiago Cedraz no Rio.
O lobista afirmou ainda que viajou junto com o filho de Jorge Luz, Bruno Luz, para a Argentina e que chegou a participar de uma negociação sobre a refinaria, mas logo desistiu do trabalho.
OUTRO LADO
Procurado, o escritório de Tiago Cedraz disse, por meio de sua assessoria, que o advogado recebeu Henriques e Jorge Luz para uma consulta em 2010 a pedido do deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE). Mas afirma que apenas fez uma análise sobre o caso que tramitava no TCU e que não chegou a ter uma atuação formal no processo.
Também afirmou que a insinuação de que o escritório tem "vínculos" no TCU é despropositada e absurda. Tiago Cedraz disse ainda desconhecer o projeto de parceria com as empresas de Henriques e de Luz.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Jorge Luz.