Os funcionários da Usina Termelétrica Luís Carlos Prestes, da Petrobras em Três Lagoas, aderiram à paralisação nacional dos petroleiros que ocorre em diversas localidades do país. A manifestação no município é silenciosa e a greve deve durar por tempo indeterminado.
De acordo com Gilmar Cardoso da Silva, funcionário da termelétrica, e representante do Sindicato dos Petroleiros do Estado do São Paulo, a reivindicação principal é ir contra o plano de “desinvestimento”, que para os petroleiros é nada mais do que a privatização da Estatal.
Ainda faz parte da pauta o reajuste de salário, melhoria no controle de segurança do trabalho e a retomada das obras da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) no município.
Segundo o sindicalista, 70% dos funcionários aderiram à greve. Ele ainda defendeu que a adesão é de 60 funcionários e a paralisação deve prejudicar a produção de energia na termelétrica.
REIVINDICAÇÕES NACIONAIS
Em âmbito nacional, as reivindicações são: a manutenção da Petrobras como uma empresa integrada e indutora do desenvolvimento nacional, a suspensão da venda de ativos e a conclusão das obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro e da Refinaria Abreu e Lima (PE).
A lista ainda segue: preservação da política de conteúdo nacional, com construção de navios e plataformas no Brasil, garantia de que as riquezas do pré-sal sejam exploradas pela Petrobras, implementação de uma nova política de saúde e segurança que garanta o direito à vida e rompa com o atual modelo de gestão que já matou 19 trabalhadores só este ano e recomposição dos efetivos.
POSICIONAMENTO
Questionada, a assessoria de comunicação da Petrobras enviou resposta afirmando que a greve coordenada pelas entidades sindicais afeta, sim, as operações da companhia.
Na segunda-feira (2), houve queda de produção de 273 mil barris de petróleo, o que corresponde a 13% da produção diária no Brasil. Adicionalmente, 7,3 milhões de metros cúbicos de gás natural deixaram de ser disponibilizados, o que equivale a 14% do gás ofertado diariamente ao mercado brasileiro.
A Petrobras estima que ao final de terça-feira (3) a produção de petróleo no Brasil apresentou uma redução de 8,5% e que 13% do gás deixe de ser disponibilizado quando comparado à produção diária anterior à greve.
Com a perda de produção, a arrecadação de tributos recolhidos em favor da União Federal, estados e municípios, como os royalties e a participação especial é diretamente impactada.
Entretanto, em relação a Três Lagoas, ainda não foram contabilizados prejuízos. A assessoria de comunicação local aguarda um posicionamento da matriz no Rio de Janeiro.
“A Petrobras está tomando as medidas necessárias para garantir a manutenção de suas atividades, preservando suas instalações e a segurança de seus trabalhadores. A companhia reitera que, apesar do efeito na produção de petróleo e gás no Brasil, resultante do movimento grevista, a distribuição está funcionando dentro da normalidade e não há previsão de desabastecimento do mercado”, afirmou em nota.