Todo mundo ama filhotes de cães ou gatos. Mas para tomar a decisão de “cruzar” sua cadela ou gata, é preciso estar ciente dos cuidados necessários antes, durante e depois da gestação.
De acordo com a veterinária Vilma dos Santos Fahed, o acompanhamento com o animal começa antes mesmo da gestação. “O primeiro passo é fazer um pré-natal na cadela ou gata, antes de emprenhar”, destaca.
“A gente pede para pôr as vacinas e a vermifugação em dia, para o animal estar saudável. Toda a carga de anticorpo vai passar para o filhote. Ou seja, isso vai garantir que os filhotes nasçam saudáveis”.
Exames de saúde também são essenciais. “Se o macho tiver leishmaniose, por exemplo, poderá passar para a fêmea. É preciso ver se está tudo bem”, alerta.
Passada essa primeira fase, a cruza está liberada. A gestação canina tem uma duração de 58 a 64 dias. Já a gestação de gatas dura em torno de 60 a 65 dias, no máximo.
Nesse período, a atenção é para a alimentação do animal. “Geralmente, é recomendado que elas comam ração para filhotes, ou rações proteicas [ricas em proteínas]. Dependendo do caso, pode ser necessário entrar com vitaminas e cálcio”, afirma a veterinária.
O comportamento também sofrerá alterações. “A gente costuma dizer que a cadela ou gata fica mais responsável. No começo, aparece um apetite muito grande. Depois, do meio ao fim da gestação, o animal fica mais quieto e lento. Afinal, não pode mais pular e brincar como antes”.
PREOCUPAÇÃO
A advogada Domitilla Vasco de Tolero Pereira, 32 anos, seguiu todas as orientações de seu veterinário desde o momento da decisão de que sua cadela, a schnauzer Kika, três anos, teria filhotes. “Estou fazendo acompanhamento, já fizemos até ultrassonografia, duas vezes”, relata.
Os seis filhotes de Kika devem nascer na próxima semana e resta saber apenas se será de parto normal ou cesárea. “Vamos fazer exame para descobrir se os filhotes estão na posição correta”.
Para Vilma, é imprescindível ter orientação de um veterinário para realizar o parto. “É preciso ter certeza se os filhotes estão na posição certa. Caso contrário, eles podem morrer e, inclusive, a cadela ou gata também pode vir a óbito”, enfatiza. “Se estiver tudo bem para um parto normal, o próprio dono pode conduzir, em casa, mas sempre com orientação do veterinário”.
Com a gravidez, Kika também mudou os hábitos. “Ela ficou mais sonolenta, não brinca mais como antes”, comenta Domitilla. A preocupação é constante. “Eu não durmo direito, fico sempre cuidando, porque acho que pode acontecer alguma coisa”.
“É algo que requer cuidado e atenção”, confirma Vilma. “Não há motivo para emprenhar um animal, a não ser que o dono realmente queira. Existe uma lenda de que, se a cadela não tiver filhotes, pode desenvolver câncer, mas não é verdade”.
APÓS O PARTO
Próximo ao nascimento dos filhotes, é recomendado preparar um ambiente em que o animal poderá dar à luz. É importante que seja um local onde o bicho esteja acostumada a ficar e que tenha privacidade.
Após o parto, é normal que a “mãe” não deixe ninguém se aproximar das suas crias recém-nascidas. É preciso ter cautela, para evitar qualquer acidente ou estresse. Com o passar do tempo, o animal vai perdendo o receio.
Caso a cadela ou gata não esteja amamentando, o ideal é ajudar, colocando os filhotes nas mamas. Se não houver leite, compre imediatamente leite artificial em lojas de produtos para animais.
Lembre-se que os filhotes são muito frágeis e, em poucas horas, podem apresentar hipoglicemia, desidratação e morrer.
“Cruzar um animal e cuidar dos filhotes requer muita responsabilidade”, pontua a veterinária Vilma.
ERRATA
Matéria originalmente publicada no Correio B, versão impressa, de 07/11/2015. Ao contrário do que foi publicado na data, a veterinária Vilma dos Santos Fahed não afirmou que "cadelas com erliquiose, a doença do carrapato, poderiam transmitir a doença para os filhotes".
Na verdade, de acordo com Vilma, as fêmeas com a erliquiose precisam de acompanhamento de saúde, especialmente quando estão prenhas, para garantir a saúde delas e dos filhotes.
"A doença do carrapato não é transmitida da fêmea para os filhotes", esclarece. A veterinária também disse, em entrevista, que os machos poderiam transmitir a leishmaniose para a fêmea, mas não para os filhotes.