De janeiro até outubro deste ano, Campo Grande registrou 598 tentativas de suicídio, índice considerado alto tendo em vista que nem todos os casos do tipo vem à tona.
No ano passado, foram outras 750 tentativas e 53 óbitos, o que motivou a realização de audiência pública sobre o tema na manhã desta quarta-feira (18), na Câmara Municipal.
Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) e, na ocasião, foram apresentados pela enfermeira do Núcleo de Prevenção de Violências, Laura Maria Souza de Linhares.
“Cada ano tem um crescimento tanto nas tentativas quanto nos suicídios. São dados que podem ser maiores, pois muitos familiares têm vergonha de dizer que a pessoa se matou e não registram o suicídio. O suicídio em 90% dos casos é evitável, não é uma morte que a pessoa não demonstra sinais. 90% das pessoas evidenciam sinais, em ações ou falas, alertando sobre a possibilidade de suicídio".
Segundo ela, pessoas com idades entre 15 e 34 anos são as que mais praticam o suicídio que, dentre as causas externas, responde pela terceira causa de morte no ano passado na Capital. A tentativa é a 3ª violência mais registrada.
ATENÇÃO REDOBRADA
À reportagem do Portal Correio do Estado, o coordenador de divulgação do Grupo Amor Vida-GAV (antigo CVV), Roberto Sinai, afirmou que o sentimento de solidão é uma das principais causas do suicídio.
"As pessoas ficam deprimidas e cometem esse ato de desespero na ilusão de se verem livres da dor, do sofrimento". Sinai afirma ainda que existe uma "epidemia de suicídio em Mato Grosso do Sul, especialmente em Campo Grande".
Neste ano, vereadores aprovaram e sancionaram a Lei municipal n° 5.613/15, que trata sobre a implantação de medidas de prevenção ao suicídio nas escolas da Capital. O texto foi publicado no Diário Oficial do dia 30 de setembro deste ano.