A pontualidade e o asseio com as vestes são notáveis ao conhecer os haitianos refugiados em Campo Grande. Apesar das características serem valorizadas na hora de contratar um empregado, elas não impediram que os imigrantes fossem alvos de fraudes trabalhistas praticadas por empresas terceirizadas, responsáveis pela construção de grandes empreendimentos da Capital.
Apesar da preocupação em aprimorar o português e de dar continuidade aos estudos mesmo em outro país, para o setor responsável pela maior parte da contratação de haitianos, esses esforços não fazem muita diferença. Na Capital, esses imigrantes servem como força braçal principalmente na construção civil.
Para o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Cícero Rufino Pereira, embora não tenham sido registrados casos de racismo no órgão, as fraudes trabalhistas a esses refugiados têm lastro em uma cultura xenófoba que estigmatiza esses povos. Entretanto, ele considera como um dos elementos mais graves a terceirização. “Isto é um grande problema na construção civil. As grandes empresas subcontratam outras empresas, que muitas vezes não têm idoneidade financeira e acabam não dando conta de pagar os trabalhadores”, explica.
Reportagem de Tainá Jara está na edição de hoje do Correio do Estado.