O hospital referência pelo Sistema Único de Saúde em atendimento a pacientes com problemas psiquiátricos e atendimento a dependentes químicos corre o risco de encerrar suas atividades em 2016. Esse anúncio foi feito pelo diretor técnico do Hospital Nosso Lar, Paulo Henrique Tognini.
O Nosso Lar fica no bairro Vila Planalto, em Campo Grande, e atende pessoas de todo o Estado. Ele é mantido por uma instituição espírita que fica no centro da Capital.
A unidade de atendimento enfrenta dificuldades financeiras desde o ano passado e já fechou leitos que disponibiliza para atendimento ao SUS. Até o ano passado, havia 120 vagas, mas hoje somente 40 são usadas para atender pacientes encaminhados da rede pública de saúde e a determinações judiciais.
Tognini foi à Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (3) e fez o anúncio que o hospital corre o risco de fechar no próximo ano. "A diária repassada pelo SUS é de R$ 43,70. Este valor é insuficiente, por isso corremos o risco de fechar as portas", disse na plenária. A diária paga a outras hospitais gira em torno de R$ 300. O deficit mensal que a unidade administra desde o janeiro do ano passado gira em torno de R$ 150 mil.
O dirigente do hospital pediu aos deputados estaduais apoio para tentar firmar um convênio com o governo do Estado e a prefeitura de Campo Grande. "Queremos a ajuda dos deputados para a construção de um plano para superarmos esta crise e mantermos os atendimentos", justificou Tognini.
Mara Caseiro (PTdoB), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia, afirmou que tentará agendar uma reunião com os setores de saúde do município e do Estado para a próxima semana.
CORTE DE VAGAS
A diminuição no atendimento pelo Hospital Nosso Lar vem acontecendo desde meados de 2014. A instituição mantinha 200 leitos disponíveis, destes 160 eram destinados a pacientes encaminhados de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), decisões judiciais de presos com doenças psiquiátricas e dependentes químicos que precisavam de atendimento médico para o processo de desintoxicação.
Em 2013, o convênio do hospital com a prefeitura da Capital foi encerrado e não houve um novo acordo definitivo. O governo do Estado continuou encaminhando R$ 50 mil até fevereiro de 2014, mas depois o convênio também foi encerrado.
Entre março e agosto do ano passado, o governo municipal chegou a repassar alguns valores para o Nosso Lar, mas sem um contrato definitivo. Com o afastamento do prefeito Gilmar Olarte (PP), as negociações terminaram.