O agente da Receita Federal suspeito de integrar quadrilha de contrabandistas de mercadorias da Bolívia terá o salário suspenso enquanto estiver sendo investigado.
A decisão judicial foi anunciada durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (3) em Corumbá, a 417 km de Campo Grande. O nome do servidor não foi informado.
O salário do agente federal que foi preso preventivamente (por tempo indeterminado) está entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.
O pedido de suspensão é uma solicitação feita pelo Ministério Público Federal (MPF), conforme explicou o procurador da república Yuri Corrêa da Luz.
Segundo informações da Polícia Federal, sete pessoas foram presas durante as ações desencadeadas na manhã desta quinta-feira (3), mas outros cinco mandados de prisão também devem ser cumpridos em breve.
Um dos envolvidos foi capturado pela polícia Boliviana em Puerto Quijarro, que fica a 12 quilômetros de Corumbá. Ele será entregue à Polícia Federal, no Brasil. Os nomes dos suspeitos presos não foram divulgados com a justificativa para não atrapalhar as investigações.
Além da prisões, uma empresa de transportes envolvida no caso foi fechada. O nome do estabelecimento também não foi informado.
O ESQUEMA
Um dos envolvidos comprava estoque de mercadorias na Bolívia e levava para Corumbá, onde guardava o vestuário importado em um galpão. Em seguida, a quadrilha fazia o transporte dos produtos para a cidade de Penápolis (SP).
Desde abril do ano passado, quando começaram as investigações, foram apreendidas cerca de 20 toneladas de mercadorias, principalmente roupas, cuja carga foi avaliada em R$ 1,7 milhão.
AS INVESTIGAÇÕES
O auditor-fiscal da Receita Federal, Thiago Lessa Mendes, informou que o agente afastado da Receita foi descoberto depois de processo interno. Ele trabalhava no posto Esdras, situado a poucos metros da linha de fronteira do Brasil com a Bolívia, em Corumbá.
No local, trabalham 10 servidores em regime de plantão para atenderem, em média, 2,4 mil veículos por dia. Segundo ele, as mercadorias apreendidas pela Receita naquele local representam apenas 10% do valor real.
A OPERAÇÃO
Denominada como “Trapo”, a operação do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal foi desencadeada na manhã desta quinta-feira (3), em Corumbá, Dourados, Campo Grande e no estado de São Paulo.
Ao todo, 12 mandados de prisão devem ser cumpridos, além de 15 de condução coercitiva e 21 de busca e apreensão.
A ação policial ocorre também na capital de São Paulo e cidades de Birigui, Araçatuba, Sorocaba e Penápolis. São 110 agentes federais empenhados para cumprimento das ordens da Justiça.
As ordens de cumprimentos de mandados são da 1ª Vara Federal de Corumbá, onde são concentradas as investigações.