Cidades

OPERAÇÃO TRAPO

Justiça tira salário de servidor da Receita acusado de formação de quadrilha

Polícia Federal não divulgou nome dos envolvidos para não atrapalhar investigações

Redação

03/12/2015 - 14h07

O agente da Receita Federal suspeito de integrar quadrilha de contrabandistas de mercadorias da Bolívia terá o salário suspenso enquanto estiver sendo investigado.

A decisão judicial foi anunciada durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (3) em Corumbá, a 417 km de Campo Grande. O nome do servidor não foi informado.

O salário do agente federal que foi preso preventivamente (por tempo indeterminado) está entre R$ 10 mil e R$ 15 mil.

O pedido de suspensão é uma solicitação feita pelo Ministério Público Federal (MPF), conforme explicou o procurador da república Yuri Corrêa da Luz. 

Segundo informações da Polícia Federal, sete pessoas foram presas durante as ações desencadeadas na manhã desta quinta-feira (3), mas outros cinco mandados de prisão também devem ser cumpridos em breve.

Um dos envolvidos foi capturado pela polícia Boliviana em Puerto Quijarro, que fica a 12 quilômetros de Corumbá. Ele será entregue à Polícia Federal, no Brasil. Os nomes dos suspeitos presos não foram divulgados com a justificativa para não atrapalhar as investigações.

Além da prisões, uma empresa de transportes envolvida no caso foi fechada. O nome do estabelecimento também não foi informado. 

O ESQUEMA

Um dos envolvidos comprava estoque de mercadorias na Bolívia e levava para Corumbá, onde guardava o vestuário importado em um galpão. Em seguida, a quadrilha fazia o transporte dos produtos para a cidade de Penápolis (SP). 

Desde abril do ano passado, quando começaram as investigações, foram apreendidas cerca de 20 toneladas de mercadorias, principalmente roupas, cuja carga foi avaliada em R$ 1,7 milhão.

AS INVESTIGAÇÕES

O auditor-fiscal da Receita Federal, Thiago Lessa Mendes, informou que o agente afastado da Receita foi descoberto depois de processo interno. Ele trabalhava no posto Esdras, situado a poucos metros da linha de fronteira do Brasil com a Bolívia, em Corumbá. 

No local, trabalham 10 servidores em regime de plantão para atenderem, em média, 2,4 mil veículos por dia. Segundo ele, as mercadorias apreendidas pela Receita naquele local representam apenas 10% do valor real. 

A OPERAÇÃO 

Denominada como “Trapo”, a operação do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal foi desencadeada na manhã desta quinta-feira (3), em Corumbá, Dourados, Campo Grande e no estado de São Paulo.

Ao todo, 12 mandados de prisão devem ser cumpridos, além de 15 de condução coercitiva e 21 de busca e apreensão.

A ação policial ocorre também na capital de São Paulo e cidades de Birigui, Araçatuba, Sorocaba e Penápolis. São 110 agentes federais empenhados para cumprimento das ordens da Justiça.

As ordens de cumprimentos de mandados são da 1ª Vara Federal de Corumbá, onde são concentradas as investigações. 

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