Em um Jeep, a professora universitária Iandara Schettert Silva e seu esposo, Ricardo Aydos, deixaram Campo Grande no dia 19 de novembro e foram rumo ao município de Mariana (MG) e adjacências para auxiliar as vítimas do rompimento das barragens da mineradora Samarco que deixou a cidade mergulhada na lama, além de 11 pessoas mortas e outros 8 desaparecidos.
De volta à Capital, ela relatou ao Portal Correio do Estado as experiências que vivenciou quando esteve na cidade mineira. "O que a gente viu foi uma situação caótica, especialmente no que diz respeito ao meio ambiente. É uma situação bastante difícil e acho que vai levar um bom tempo para recuperação mínima daquele lugar. Recuperação total acho que não vai ter".
Em relação ao comportamento das vítimas, Indiara disse que também ficou surpresa porque percebeu nas falas e gestos da população a expressão clara do que é resignação. "Eles são conformadíssimos e extremamente agradecidos à mineradora. Acham que tudo o que eles tem é graças a empresa. É uma cidade histórica, bastante humilde, com poucos habitantes e bastante pobre. Eles nem comentam muita coisa da empresa".
Iandara e os outros jipeiros também foram ao município de Barra Longa, igualmente atingido pela lama tóxica. "Foi um local afetado pelo refluxo da água de um rio afluente do Rio Doce. Quando voltou, a lama invadiu de 4 a 6 metros de altura. Vimos palmeiras lindas aquela marca de lama, tirando com retroescavadeira. O acesso era extremamente complicado, fomos de Jeep, em quatro ou cinco grupos, descemos morro e cada um foi para um local".
OS ANIMAIS
Desde o desastre, umas das preocupações de Iandara eram os bichos que também foram afetados pelo lamaçal. "Os animais estão em abrigos e são muito bem cuidados, tratados por veterinários todos os dias. Eles ficarão por lá em torno de seis meses porque para pegar de volta, os donos tem que ter residência para leva-los".
AS QUEIXAS
Sem casa, a população reclama da mudança forçada de hábitos. "Ficamos em pousada, inclusive com famílias desabrigadas. Eles estavam habituados nas suas casas, a terem suas hortas, seus ambientes de trabalho de rotina diária. Eles disseram que é disso que sentem mais falta. Muitos perderam os animais domésticos. Contam que perderam galinha, marreco, vaca e nós vimos grande quantidade de cães perdidos. Mas existe uma solidariedade mútua naquele lugar".
O RETORNO
Eles deixaram os donativos por lá, mas trouxeram muito aprendizado. "Me trouxe reflexão da diferença das pessoas, das necessidades individuais. Eles vivem com muito pouco e são muito mais gratos. Me colocou numa realidade diferente. Ás vezes a gente se coloca numa situação mais privilegiada e se esquece disso. Tem que ter cuidado pra não se afastar da humanidade".