Cidades

Dica é pesquisar

Cesta de Natal sobe quase 20% na Capital; preço do frango lidera ranking

Inflação média do frango, chester e peru chega a 38,97%.

Redação

16/12/2015 - 10h00

O campo-grandense vai gastar mais para montar a ceia de natal em 2015, aponta uma pesquisa do Núcleo de Pesquisas Econômicas (Nepes) da Uniderp, realizada durante as duas primeiras semanas de dezembro nos principais supermercados da capital. O levantamento revelou que os produtos tradicionalmente consumidos nas festividades de final de ano - como frutas, peru, bacalhau e panetone - tiveram elevação média de 18,16%, em relação a 2014. No ano passado o índice registrado foi de 10,58% e em 2013, 6%.

 O coordenador do Nepes e pesquisador da Uniderp, Celso Correia, analisa que o reajuste supera a inflação acumulada nos últimos 12 meses em Campo Grande, que é de 10,96%. “Percebemos que tudo está muito mais caro em relação ao ano passado e a maioria dos produtos com reajustes muito acima da inflação, o que assusta ainda mais o consumidor. Entre as influências para esse aumento estão a alta do dólar, uma vez que os produtos mais tradicionais sofreram impacto da variação cambial, o clima adverso, que tem prejudicado a produção de produtos hortifrutícolas, o aumento nas exportações de carnes e a elevação do poder aquisitivo do consumidor que, com a melhoria dos salários, prioriza primeiro uma melhor alimentação”, esclarece.
 
Na avaliação por segmento, as aves foram as que mais dispararam de preço, com alta de 38,97%, em média. O frango resfriado lidera o ranking do grupo, em dezembro de 2014 custava R$ 5,76 e este ano R$ 9,33, ou seja, 61,98% de aumento. O chester (Perdigão) ocupa o segundo lugar com 61,54% de reajuste, passou de R$ 14,25 para R$ 23,02 em um ano. Para contar com o peru na ceia, o campo-grandense também terá que desembolsar mais. As duas marcas pesquisadas, Sadia e Perdigão, reajustaram o valor em 16,80% e 15,55%, respectivamente.
 
O típico churrasco de final de ano também está, em média, 19,96% mais caro. O contra-filé subiu 36,31%, passando de R$ 18,62, em 2014, para R$ 25,30. A picanha, que custava R$ 29,45 no ano anterior, aumentou 19,59%. Outros cortes, como a capa de contra-filé e a alcatra, subiram 12,58% e 11,35%, respectivamente. A leitoa também sofreu majoração, da ordem de 15,79%. Em 2014, o produto foi comercializado por R$ 23,75% e este ano passou para R$ 27,50.
 
Para o professor Celso Correia, a valorização da carne bovina também está atrelada à baixa oferta de boi gordo para o abate e a entrada de boi de confinamento que, historicamente, tem preço mais alto que o de engorda a pasto. O custo de produção dos frigoríficos foi muito afetado com o aumento da energia elétrica, em torno de 50%, neste ano de 2015. “Paralelamente, o real desvalorizado frente ao dólar também tem favorecido a exportação do produto, diminuindo a oferta no mercado interno de carne bovina. Além disso, há uma migração de consumidores dos cortes mais caros para cortes mais baratos de carne bovina, bem como, para a carne suína, majorando os seus preços”, explica o pesquisador da Uniderp.
 
Um dos alimentos mais tradicionais da mesa de Natal, o panetone subiu 18,83%, em média. O maior reajuste foi constatado com a marca Tommy, que saiu de R$ 7,47 em 2014 para R$ 9,51, um aumento de 27,31%. Mais cara, a unidade da Bauduco, que ano passado foi vendida a R$ 13,97, apresentou elevação de 25,63%, em doze meses. Já o panetone Visconte apresentou o menor aumento entre os produtos pesquisados. Passou de R$ 12,19 para R$ 12,99, alta de 6,56%.
 
“A indústria repassou ao consumidor o aumento de preço dos insumos usados na produção do panetone, como as frutas cristalizadas, açúcar e gordura. Apesar de a farinha de trigo ter reduzido o valor na gôndola, o preço do trigo pago ao produtor na região sul aumentou 6%, o que também impacta na indústria da panificação”. Houve um aumento muito grande no custo de produção com o reajuste de energia elétrica, em torno de 50%, justificando parte desse aumento. 
 
Os preços dos principais peixes consumidos nesta ocasião também foram analisados pelo Nepes da Uniderp, que registrou elevação média de 19,63%. O filé de merluza aumentou 24,72%, o bacalhau do porto teve crescimento de 22,31% e o bacalhau ling registrou alta de 11,88%.
 
Outros produtos que tiveram aumentos expressivos correspondem aos do grupo de bebidas alcoólicas, que registrou alta de 17,36%. Há marcas de vinho com majoração de até 40,03% e de whisky com 24,98% de reajuste. A cerveja chegou a ter 19,71% de aumento em relação a 2014. A única queda registrada foi com a Champagne Chuva de Prata, que passou de R$ 14,48 para R$ 11,19, uma redução de 22,72% no preço. No segmento de não alcoólicas, os refrigerantes registraram 13,38% de acréscimo de um ano para o outro.
 
O grupo hortifrútis seguiu o comportamento de majoração, com índice de 14,55%. As maiores altas foram constatadas com: cebola (83,04%), batata (43,01%), uva passa (42,72%), melancia (25%), nectarina (24,84%), tomate (22,51%), pêssego (16,92%), abacaxi (14,47%) e cenoura (11,44%) com índices superiores que a inflação acumulada de Campo Grande.
 
Os frios e laticínios aumentaram, em média, 11,53%. O valor do presunto Seara aumentou 19,66%, o queijo Santa Rosa fatiado subiu 14,96% e, em peça, 11,53%, e o queijo minas sofreu alta de 10,68%.
 
Essenciais no preparo de acompanhamentos da ceia, os itens de mercearia registraram inflação mais baixa entre os grupos, fechando em 10,56%. As maiores altas foram identificadas com os produtos: feijão (46,36%), ameixa em lata (41,18%), biscoito Champagne (28,51%), açúcar cristal (19,22%), arroz (13,71%) e maionese (11,65%). Também foram registradas quedas de valor com o macarrão (-11,06%), lentilha (-10,93%), trigo (-9,67%) e azeite (-3,62%).
 
A sugestão para economizar na ceia, sem onerar o orçamento, é pesquisar. “Os reajustes variam conforme a marca e local de compra. Com a proximidade do Natal os supermercados realizam promoções para liquidar os produtos empacados, é sempre bom ficar de olho”, finaliza Celso Correia.

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