Os quatro policiais militares investigados na Operação Pampas, deflagrada no início do mês contra o comércio ilegal de armas na região de São Gabriel do Oeste e Campo Grande, continuam trabalhando normalmente. De acordo com o tenente-coronel Gil Alexandre da Rocha, encarregado das investigações junto à Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, há provas contundentes para incriminá-los, mas eles só serão afastados de seus postos se a Justiça expedir a ordem de prisão, depois da conclusão do inquérito . O prazo final é 7 de janeiro e há possibilidade de exoneração.
Também é investigada a participação de dois civis que foram autuados. Segundo o tenente-coronel, os militares não chegaram a ser presos durante a operação realizada no dia 3 de dezembro, porque o pedido feito à Justiça foi apenas para o cumprimento de mandatos de busca e apreensão e de conduções coercitivas.
“Investigávamos o esquema desde novembro de 2014, mas precisávamos de mais elementos para comprovar as suspeitas, o que vem acontecendo agora depois da análise de escutas telefônicas, objetos e documentos apreendidos. Ainda há outros elementos a serem apurados”, disse.
Os policiais militares respondem, inicialmente, pelos delitos englobados na comercialização de armamentos.,como porte e posse irregular de arma e munição de uso permitido e restrito, no entanto, os corregedores constataram outras irregularidades como abandono de posto, prevaricação e corrupção.
“Descobrimos que os servidores faziam o que chamamos de ‘policiamento pago’. Eles protegiam o alojamento de uma construtora, onde havia muitos funcionários, em troca de alimentações e combustíveis, comportamento que é repreendido pela Polícia Militar”, explicou.
Prisões
OPERAÇÃO
O primeiro a ser preso foi Cleiton Roberto Mendes, autuado em flagrante por tráfico internacional de armas no dia 15/09, na região de São Gabriel do Oeste. Ele chegava a ganhar R$ 3 mil por dia para buscar os materiais no Paraguai e, conforme levantado, distribuir no município. O flagrante foi feito pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) e encaminhado à Delegacia de Polícia Federal. “No dia da prisão ele estava com cinco armas pequenas, como revólveres e pistolas, uma espingarda e munições. Ele tentou se desfazer do arsenal, mas não conseguiu a tempo e foi preso”, disse Gil Alexandre.
No dia da operação foi preso também o empresário Leandro Frosa, dono de uma transportadora em São Gabriel do Oeste. O homem guardava em casa uma luneta, duas armas longas e dois revólveres. Ele foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo, pagou fiança e responde em liberdade. “Foi preso porque, ao contrário do que foi apreendido com os PMs, o armamento dele não estava citado nos mandados de busca e apreensão, fato que configurou flagrante instaurado pela Polícia Civil”, detalhou.
O tenente Cláudio Baldan, chefe do policiamento no município estava com munições calibre 44 de uso restrito, carregadores e teria participado dos esquemas corruptos de policiamento pago, além de supostamente ter conhecimento de que o sargento Manoel Feliciano Bezerra teria abandonado o posto duas vezes para pescar no Rio Aquidauana, e mesmo assim não tomou providências quanto a isso. Manoel estava com munições em casa e foi apontado como responsável por abastecer arsenais de fazendeiros do Pantanal.
Por sua vez, o militar Flávio Alves Diniz portava munição de uso restrito e é suspeito de, em contato com Cleiton, ter vendido a arma para o empresário Leandro Frosa. “A finalidade da compra deste material bélico é o que buscamos descobrir agora”. Em Campo Grande foi encontrado um saco com cerca de 500 cartuchos de rifle 7,62, na casa do sargento Dimas Feliciano Bezerra, morador no Conjunto Estrela do Sul. Lá havia pólvora, espoleta, cartuchos e outros dispostivos de uso militar.
O tenente-coronel Gil Alexandre lembra que o inquérito deve ser concluído até o próximo dia 07 de janeiro, e relatado à justiça que deve decidir pela prisão ou não dos envolvidos.