Cidades

Combate ao Aedes

Verão intensifica temporada de chuvas e Capital está cheio de focos de mosquito

Nova estação do ano começa nesta semana e 21 bairros estão em situação de alerta

Redação

20/12/2015 - 11h34

A temporada de chuvas em Mato Grosso do Sul deve ser intensificada com a chegada do verão, que começa à 01h48 desta terça-feira (22), mas muitos imóveis em Campo Grande, por exemplo, estão totalmente despreparados para receber essa água.

Sujeira que pode servir de recipiente para focos do mosquito Aedes aegypti está espalhada nesses locais, mesmo com a divulgação da prefeitura da Capital de realização de mutirão.

Leitores do Portal Correio do Estado enviaram imagens de alguns endereços que demonstram descaso da população e ineficiência do poder público na fiscalização.

No centro de Campo Grande, entre as avenidas Calógeras e Fernando Correia da Costa, há um terreno sem muro onde há garrafas, roupas e produtos que servem para acumular água por todo lado. O imóvel fica, inclusive, do lado de um hotel e da Fundação de Cultura do governo do Estado.

A região recebe grande fluxo de pessoas, o que aumenta a possibilidade de contágio de doenças que o mosquito Aedes pode transmitir: dengue, chikungunya e zika vírus.

Outro ponto da cidade considerado crítico por leitores é o bairro Aero Rancho. Na avenida Costa Melo, há um terreno que, segundo relatos, está há dois anos sem a devida limpeza. "Tem ratos, um matagal só", reclamou leitor que enviou foto e pediu para não ser identificado.

A prefeitura de Campo Grande tem uma força-tarefa atuando na cidade para visitar pontos estratégicos considerados focos do mosquito. O poder público municipal também recebeu da Justiça Estadual o alvará geral para poder entrar em imóveis dos quais os donos não são identificados ou não permitem a fiscalização.

A cidade já enfrenta uma epidemia de dengue. São 7.991 notificações na cidade até dia 5 de dezembro e três pessoas já morreram. As outras doenças ligadas ao Aedes ainda tem número menor de registros.

BAIRROS EM ALERTA

Dados do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de outubro, divulgados na sexta-feira (18), indicaram que não há nenhum bairro em situação de risco.

Os que estão em condição de alerta são 21 ao todo: Tarumã, Batistão, Coophavilla II, Piratininga, Jockey Club, América, Jacy, Taquarussu, Guanandi, São Lourenço, Tiradentes, Itamaracá, TV Morena, Dr. Albuquerque, Carlota, Paulista, Noroeste, Veraneio, Nova Lima, José Tavares e Mata do Segredo.

A mesma estatística indicou que as residências são os principais locais de foco, com 86,2% do total pesquisado. Terreno baldio representa 4,3%, segundo o LIRAa.

ATENDIMENTO AINDA DEFICITÁRIO

A prefeitura de Campo Grande concentrou nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Almeida e do Universitário o atendimento para casos suspeitos de dengue, chikungunya e zika vírus.

Nesses locais, o Exército montou tendas para ampliar a capacidade de consultas e tratamento. Contudo, mesmo depois de uma semana da estrutura ter sido instalada, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não conseguiu colocar o projeto para funcionar por completo pela falta de profissionais para atender e problemas no sistema de refrigeração do hospital temporário.

"Todos os pacientes foram atendidos a contento com a estrutura oferecida pelas UPAs, e as tendas serão destinadas à hidratação parenteral, caso os pacientes necessitem. É, portanto, uma medida preventiva", informou o governo municipal, via assessoria de imprensa.

Outra situação deficitária é a falta de kits de análise. De acordo a diretora de assistência à saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Rosimeire Arias, a chegada desses itens depende da União. "A gestão da saúde é tripartite (União, Estado e Município), sendo que o envio dos kits é de responsabilidade do Ministério da Saúde", explicou.

DENÚNCIAS

A Ouvidoria Municipal garante que todas as denúncias que chegarem pelos telefones (67) 3314-4639 e 156 sobre sujeira em casas e terrenos serão apuradas e os donos dos imóveis devem receber sanções. 

Quem for denunciado e houver a constatação do criadouro do mosquito, pode ser multado em até R$ 8 mil pela prefeitura.

A Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat) também pode registrar boletim de ocorrência por poluição. Informações podem ser feitas pelo telefone (67) 3325-2567, de segunda a sexta, das 8h00 às 18h00.

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